A Pílula da Esperança

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Quando Deus criou o mundo
Percebeu que algo faltava
Não precisou de muito tempo
Logo ali o homem estava.
E tudo pareceu perfeito
Mas algo ainda se ausentava.

Foi no rosto de Adão
Que Deus percebeu a invenção
Esperou ele dormir
E de sua costela, fez o mulherão.
Deu a ela o nome Eva
E também de Adão o coração.

E no paraíso eles ficaram
Durante muitos dias de paz
Às vezes comendo frutos
Ou dando nome aos animais.
Até o dia que surgiu a serpente
Que na verdade era Satanás.

Eva passeava só no paraíso
A serpente logo foi atrás
Aquela era sua chance
De tentar mudar o rapaz
Decidiu por aquele caminho
Pois não voltariam jamais.

Eva, pela insistência
O fruto proibido acabou comendo
E como se não bastasse
Ao consorte foi oferecendo.
E depois da mordida
Ambos foram percebendo,

Que estavam pelados
Sem nada para as partes cobrir
Envergonhados, quando chamados
Decidiram fugir
Deus sabia que algo estava errado:
Cadê o fruto que estava ali?

Percebendo a situação
Deus nem chegou a hesitar
E com dor no coração
Expulsou os dois do lugar.
Perderam tudo de bom
E começaram a trabalhar.

Mesmo assim, não abandonou
Com seu jeitinho, ajudou
Era sua melhor criação
Por isso a terra inundou.
Para lavar tudo
Quando o mal se alastrou.

E os anos foram passando
O homem aprendendo
Foi aos poucos desvendando
E com isso foi crescendo
Na inteligência e no vigor
E aos poucos foi descendo.

E quanto mais aprendia
Mais a cria se distanciava
Deus que via tudo
Mesmo assim, não condenava
Ainda era seu mundo
O povo que aumentava.

O pecado se espalhou
E o mal novamente fez jus
Deus decidiu não lavar
Desta vez mandou Jesus
Que lavou com sangue
O pecado de todos na cruz.

E com o passar do tempo
Outras coisas acontecendo
Descobriram o remédio
Estavam sempre aprendendo
Logo veio a energia
E esqueceram amanhecendo.

Logo nasceram as indústrias
E as estradas de ferro
Que sangravam a terra
Com ensurdecedor berro
Mas era a modernidade
Já previra o clero.

Se desenvolveu a medicina
Logo após a chacina
Também chamado holocausto
Gente jogada na latrina
Algo que não dá pra esquecer:
A menina de Hiroshima.

Os avanços trouxeram problemas
Uma humanidade distante
Daquele amor de Criador
Hoje se divide os protestantes
E as religiões criam rancor
Esquecendo o que veio antes.

Mas na Bíblia está escrito
Que desgraças assolarão
Quando uma o homem curar
Outras piores surgirão.
Veio a Aids sem jeito
E o câncer na contramão.

Essa última encontraram
Uma pílula da esperança
Depois de muito testar
Alguns voltaram a ser criança
Por nova vida ganhar
E hoje continuam na dança.

E o fato foi comemorado
A esperança havia voltado
Para aqueles sem saída
Para o fim já marcado.
Mas não sei por que
De repente foi cancelado.

O Supremo Tribunal
Que deveria da gente cuidar
Decidiu proibir
Da milagrosa circular
E isso me traz uma questão:
E se estivessem neste lugar?

Com os dias contados
Sem vontade de continuar
Se surgisse uma esperança
Será que não iriam tomar?
Tem gente que faz loucuras
Para outra chance pegar.

E agora não podem
O que estarão a pensar?
Lembram aqueles cães
Famintos na porta do bar
Que tudo que podem
Fazer, é apenas olhar.

E torcer para alguém
Com um bom coração
Jogar um pedaço mastigado
Até mesmo de puro pão
Para aplacar a fome
Que acaba com a razão.

A decisão da proibição
Só pode ser dinheiro!
Mesmo de passagem
É de quem viu primeiro.
Daqui não levamos nada
Somos apenas passageiros.

Mas eu queria perguntar
Para esse que proibiu
Se fosse algum parente
Você diria que sumiu?
Mesmo sem possibilidade
Tomaria até Doril.

A Esperança é o combustível
Para no amanhã chegar
Quando esperamos o melhor
Seguimos a caminhar
Quando não temos porque
Preferimos agora mesmo parar.

Afinal, para que estender
O sofrimento de nosso ser
Sendo que amanhã
Nada de bom vamos ver
Qual razão de continuar
Se sabemos, vamos sofrer.

Mesmo que se enganando
É melhor acreditar
Que dias melhores virão
E que iremos contemplar
A felicidade que esperamos
Refletido em nosso olhar.

Para ouvir a narração:


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