Não, você não leu errado, leu corretamente. Sei que o título é incoerente para os dias que vivemos, sendo que, tudo parece simplesmente acontecer num simples piscar de olhos. De repente você sai sem querer nada em uma noite de sábado e subitamente sua atenção é furtada por um gato ou uma gata que parece que está lhe dando mole, então você cria coragem, chega junto e dá início aos ritos de conquista e, depois do primeiro beijo, sente aquele desejo subindo das regiões inferiores até sua cabeça, onde o juízo fora torrado completamente por culpa da fervura dos hormônios e do desejo.

Então, a mulher se entrega e o homem como não é nenhum “amigo do Zorro” abraça sem pensar duas vezes, e, em seu interior começa a grande festa dos espermatozoides que finalmente serão expelidos de seu corpo de uma forma mais digna, afinal de contas, se você fosse um espermatozoide como iria preferir terminar seus dias de girino transparente? Opção A: No chão gelado do banheiro? Opção B: Na porcelana fria de um vaso sanitário? Opção C: Na mão do próprio carrasco como se você fosse um daqueles caçadores sádicos que gostam de ver suas presas agonizando antes do último suspiro? Opção D: Em um lugar acolhedor, confortável, perfumado, quente e ao mesmo tempo úmido? Agora é com você, seja franco e me diga: Qual opção você escolheria, se fosse um pequeno e pobre espermatozoide?

Depois do galanteio masculino, sem qualquer segunda intenção, claro… Se alguém disser que o homem só pensa em sexo, está completamente equivocado. Ele pensa em futebol, latinhas de cerveja e pensa também no por que o traseiro daquela moça que acabou de passar por ele é mais bonito do que o da sua companheira… Enfim, coisas que não devem ser verbalizadas por colocar em risco a possível transa.

Então, vocês chegam no quarto e as atenções se voltam completamente para você, agora finalmente é a única. Sei que você não se importa com a concorrência, no entanto, posso dizer que pensa desta forma para não enlouquecer, pois você achou o traseiro daquela outra muito mais convidativo que o seu… Mas, preferimos pensar que somos os únicos, pois é justamente isso que sustenta um relacionamento, que somos Highlanders para o nosso parceiro…

As roupas começam a ser tiradas, isso mesmo, as roupas, as mesmas roupas que você demorou mais de uma hora para escolher, estão sendo tiradas e jogadas de qualquer jeito do lado, com certeza vão ficar amassadas e ninguém vai saber que estava no motel, mas com certeza sua cabeça vai lhe soprar isso, só para sentir-se culpada de alguma forma, por incrível que pareça nossos familiares sempre prestam atenção em nós quando deveriam nos ignorar como sempre fizeram… Só aqui, encontramos dois trabalhos, sem mencionar o vestir as roupas quando terminarem…

– Amor, você viu minha calcinha?
– Não sei… Tô procurando onde enfiei minha cueca… Devem estar juntos por ai em algum lugar.
– Isso que dá você ficar arrancando minha roupa e jogando por aí… Você parece um homem das cavernas!

Já tivemos o problema das roupas. Depois que elas são jogadas completamente ignoradas, começa a outra parte da labuta… As famosas preliminares… E não pode ser daquelas preliminares que duram alguns míseros minutos, tem que ser daquelas intensas e cheias de desejo, como se você bebesse a mulher… Nisso, já vai uma meia hora no mínimo, sem mencionar na câimbra que vai sentir na língua… Isso mesmo! Quem disse que não incomoda depois de algum tempo? Ainda mais se o parceiro esquecer que tem duas mãos e um cérebro para usar a criatividade.

As preliminares chegam no limite, agora, beijar, morder e apertar não são mais suficientes, é preciso preencher o corpo, conectar as almas, se doar naquele momento único e devidamente preparado. Então o homem cobre a mulher e ela o sente desbravando seu ser como um bandeirante, e logo em seguida, o homem deixa o corpo pesar sobre o frágil corpo feminino e ela se sente esmagada contra o colchão que poderia ser um pouco mais fofo…

Os lábios se unem, as línguas travam suas batalhas em um céu que não há nenhuma estrela e, logo depois, começam as flexões de braços, e lá está o homem, fazendo suas flexões enquanto a mulher pratica seu contorcionismo. Os corpos começam a suar, a respiração começa a ofegar, o ritmo começa a aumentar, os corpos demonstram seus esforços com gemidos e lábios sendo mordiscados. Os olhos nos fitam por alguns segundos antes de se fecharem… Então, sentimos algo emergindo das profundezas de nosso ser, algo forte, algo que se avoluma e parece prestes a explodir dentro de nós.

Os movimentos aumentam, a mulher, no calor do momento, se rende a força invasiva masculina, força a própria elasticidade enquanto sente que seu corpo se tornou um campo para gotas de suor emergirem de sua pele arrepiada e em êxtase… Até que, tudo se consuma e uma parte do homem retorna ao local de sua origem…

Sem forças, ele se deixa cair, ofegante, pesado sobre o corpo de sua parceira que o recebe com sua respiração também ofegante e seu corpo completamente tremulo. O suor de ambos se fundem e após um delicado beijo nos lábios (por que não há força para um beijo apaixonado agora) o homem rola para o lado e deita-se ao lado da parceira que, com esforço vira-se de lado e ainda consegue passar um braço sobre o peito de seu amado.

Então o sexo forte fica abatido, enquanto o frágil, encontra forças para alguns momentos de carinho e gratidão, sem mencionar que, se receber alguns beijos mais caprichados, dali cinco minutos está pronta para outra, por isso digo: aquele que é gerado, nunca será mais forte do que aquele que tem a capacidade de gerar…

Nessa brincadeira, deve ter sido quase uma hora, envolvendo preliminares e os famosos finalmente, depois de uns trinta a quarenta minutos, o sexo forte está pronto para mais uma investida e o ciclo se reinicia e só termina quando ele, mais uma vez, achando-se vencedor, porém vencido, se deixa deitar ao lado de sua paisagem e ali, espera mais um tempo para poder conseguir firmar as pernas.

Até o momento que a mulher percebe que daquele mato não sai mais coelho, ou seria, a cenoura? Disfarçadamente a mulher convida o homem para ir a outro lugar, não para continuar fazendo o que acabaram de fazer, mas para conversar, namorar ou simplesmente contemplar a paisagem que os cerca…

É preciso dar outros sentidos para as pessoas que amamos, pois chega uma hora, que nossos corpos não aguentarão mais as flexões de braço e as respirações ofegantes, mesmo com o Viagra, afinal de contas, ele pode fazer o morto ressuscitar, mas pode fazer também o vivo em seu leito finalmente se deitar…
Sexo é bom, mas você a de convir comigo, homem ou mulher, é quase uma olimpíada, precisamos dar o nosso melhor para manter a tocha acesa, e nem sempre nosso melhor se dá somente durante, mas também, antes, durante e por que não, depois de tudo consumado.