Às vezes da até saudade do PT

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Ergui da mesa aos berros, subi as escadas ainda mastigando um pedaço de frango assado como se fosse peru. Ao chegar à rua, percebi que os fogos de artifícios que cumprimentavam o ano novo, estavam explodindo quase por obrigação. Provavelmente, se fosse realmente possível, talvez explodiríamos o ano de 2020 que, lá no dia primeiro, imaginamos que seria melhor que 2019… Quem poderia imaginar que protagonizaríamos um filme de ficção em carne e osso?

Infelizmente, 2020 não ficará para trás como tantos anos, ele permanecerá presente em muitas vidas, principalmente para aquelas que perderam outras vidas para a Covid-19. Para as famílias que não sentiram na pele o que é perder um parente, amigo ou vizinho para a pandemia, resta apenas todos os cuidados possíveis para continuar assim. Entretanto, apesar de estarmos com os olhos voltados para a esperança de um horizonte de uma cura, o momento não é de descuidar, afinal, não sabemos quando a politicagem finalmente permitirá um acesso à vacina.

Pensando nisso, talvez seja essa uma das razões para não existir cura para o câncer, entre outras doenças que acometem tantas famílias. A humanidade tem uma terrível mania de monopolizar soluções, inclusive curas e tratamentos. Sempre digo que o governo só não liberou a maconha por não saber como cobrar encargos tributários, acredito que, quando descobrirem como, poderemos chegar nas padarias da vida e pedir um maço de cigarros de maconha e o melhor, não precisaremos ficar preocupados em sermos flagrados com um pacote de cigarros de maconha, afinal, pagamos ao governo pelo produto lícito.

Você parou para lembrar o que desejou na virada de 2019/2020? Eu lembro o que esperava… Por se tratar de um ano de números iguais, achei que poderia ser o ano de meu livro que tem essa particularidade em determinados acontecimentos. Também desejei ganhar na megasena, mas esse é um desejo recorrente há muito tempo. Não comi lentilhas, não fui à praia para pular ondas e pisar em um caco de vidro, ou nenhum outro ritual destinado à boas vibrações para um novo ano. Simplesmente fiz o que faço todos os anos, olho para os fogos, penso nas pessoas comemorando um novo período de possibilidades, enquanto eu, em uma das viradas de minha vida, estava velando meu pai. Esse é um acontecimento que tira um pouco do brilho da comemoração, mas, enfim, não é apenas o show que tem que continuar, como também, a vida… Mas, neste 2020 até a vida pareceu estacionar no tempo. Com certeza será um ano que ficará na memória do mundo.

Acredito que em um futuro não muito distante, alunos estudarão sobre esse episódio mundial, tal como acontece com a peste negra, nazismo, entre outros acontecimentos que surpreenderam o mundo. Claro que, para nós, brasileiros e para algumas outras nações, outras desgraças vieram no vácuo do vírus, como por exemplo, a morte de George Floyd que desencadeou uma série de protestos pelos Estados Unidos e pelo mundo inteiro, inclusive, ganhando uma versão nacional da barbárie cometida contra os afrodescendentes, para relembrar: João Alberto da Silveira Freitas foi morto por dois seguranças de uma empresa contratada pelo Carrefour de Porto Alegre.

Também foi o ano em que o presidente da Fundação Quilombo dos Palmares, Sérgio Camargo, se refere ao movimento negro como “escória maldita”, detalhe autor da afronta é afrodescendente. Foi o ano do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, político que estudou em duas faculdades de Portugal e no Mackenzie, quis se aproveitar que todos estavam com as atenções na Pandemia para permitir um maior desmatamento da Amazônia… Também foi o ano em que o atual presidente, eleito para fazer a diferença mediante aos partidos que pintaram e bordaram no Planalto Central, mostrou finalmente suas presas. Tentando se infiltrar em órgãos públicos que tentam acabar com a corrupção (apesar que não o culpo por isso, afinal, você não faria o mesmo para encobrir um de seus filhos? Ainda mais sabendo que desse ventilador, poderia voar ainda mais m***s?) Foi o ano em que o Brasil mais trocou de Ministro da Saúde… O primeiro valorizou seus estudos e seus esforços para chegar onde chegou e não permitiu que alguém lhe ordenasse o que era para dizer ou não… Com esse eliminado, chegou outro que permitiu ser manipulado, pelo menos até o momento em que a voz da razão e o juramento a profissão falou mais alto em seu coração e acabou abandonando o cargo… E como nenhum profissional da saúde parecia aceitar, nada melhor que colocar uma pessoa completamente fora dessa área, que mal sabe aplicar uma injeção ou a receitar um medicamento eficaz, mas, que está cumprindo seu papel, ou melhor, o papel que escrevem para ele interpretar… Também foi o ano do auxílio emergencial que deu uma levantada na aceitação de nosso presidente, mal lembram que, por ele, seria apenas R$ 300,00, esquecem que foi o Maia que sugeriu R$ 600,00. Alguns dirão: mas com trezentos os problemas financeiros do Brasil seriam menores… Não tenho tanta certeza, afinal, o prefeito da cidade de São Paulo, reeleito, além de tirar o direito dos cidadãos maiores de 65 anos a condução gratuita, ainda decidiu aumentar o próprio salário… E não estou falando de R$ 55,00 como no salário mínimo do trabalhador que paga seus impostos alimentando as engrenagens da corrupção…

Poderia parar por aí, mas, infelizmente, essa seleção escalada para o time do Planalto Central está pior que a Seleção Brasileira que levou sete gols da Alemanha na Copa de 2014. Nosso diplomata, que deveria ser o contrapeso para incidentes internacionais, parece ser o primeiro a querer causa-los. Ernesto Araújo, não só defende quem faz piadas desnecessárias em momentos delicados como também, faz as suas próprias declarações que demonstram toda sua falta de bom senso. Também não podemos esquecer do Secretário Nacional da Cultura, Roberto Alvim, que acabou deixando o cargo se inspirar (para não dizer copiar) o discurso de Joseph Goebbles, Ministro da Propaganda Nazista. E, para a referência ficar clara, ainda colocou como trilha sonora de fundo, um dos trabalhos de Wagner, um dos maiores compositores alemães. Claro que foi exonerado, afinal, o Brasil tinha um relacionamento estreitíssimo com o presidente dos Estados Unidos na época, Donald Trump, caso não fosse os americanos, provavelmente aconteceria como aconteceu com o Weintraub e sairia de um lugar para ser colocado em outro cargo, aliás, que ninguém queria devido ao seu histórico polêmico.  

2020 parece ter sido um ano divisor de águas. Um ano em que uma desgraça veio para mudar completamente nossos costumes e nos lançar de uma vez por todas aos avanços digitais e, consequentemente, à dependência. Com certeza, 2021 será um ano melhor para aqueles que passaram incólumes pela pandemia, que não tiveram perdas financeiras ou familiares. E não precisará de muita coisa para ser melhor… 2020 serviu para isso também, para rebaixar os níveis de exigência em relação a escolha de nossos políticos, nas próximas eleições, os candidatos não precisarão se esforçar tanto, afinal, qualquer um será visto por uma grande parte da população brasileira como salvador da pátria, mesmo que ele tenha nome de super-herói, mas não verde…

Por essas e outras que digo: às vezes da uma saudade dos tempos de PT.


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