Cada peça em seu devido lugar

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Confesso que não sou um daqueles homens que costumam fazer reparos em casa. Sério mesmo, para trocar uma tomada ou um interruptor, prefiro, além de desligar a chave geral, usar chinelos e ferramentas que tenham os benefícios da borracha como isolante. Tudo bem que alguns dirão que é um exagero, no entanto, todo cuidado é pouco… E é exatamente por isso que prefiro chamar meu vizinho para trocar a resistência do chuveiro.
Nunca fui de me aventurar por esse mundo de pequenos reparos domiciliares. Não vou dizer que invejo os homens que contam com tais faculdades pelo simples fato de, justificar com a máxima: “eles estão acostumados, cresceram fazendo essas coisas”. Pode parecer uma espécie de embuste para justificar minha incapacidade, mas, na verdade, é apenas uma tentativa de cobrir fantasmas do passado.
É duro, mas precisamos atentar para determinados fatos que podem definir uma vida inteira. Precisamos levar a sério que, é quando criança que vamos aprendendo a sermos seguros, confiantes e os demais predicados comuns em pessoas bem-sucedidas. Já os maus-sucedidos… Pesquise e verá que muitos contam com infâncias similares. Eu passei por algumas interessantes, porém, estou aqui abrindo o jogo. Dando a cara a tapa, sendo exemplo… um mártir… tentando encontrar um outro semelhante que diga: eu também!
A verdade é que, algumas pessoas não nascem com esses dons, elas até tentam, porém, sempre existe alguém para criticar, para dizer que estão erradas, para frustrar qualquer possibilidade de um aprimoramento. Quando menor, tentei fazer diversos reparos, contudo, quando errado, a observação sempre vinha com algo: você não serve para isso, deixa para quem sabe fazer… E nunca: não é assim, peraí que vou te mostrar como deve ser feito.
Quando temos alguém que sabe nos mostrar, que leva em consideração que estamos aprendendo na medida de nossa capacidade, as coisas ficam completamente diferentes. Imagine se, quando bebês, ainda nas primeiras tentativas de andar, ao cair, nossos pais começassem a nos dizer como somos incapazes de fazer algo tão simples… Sim, andar é simples, ainda mais para alguém que já está careca ou não de andar, mas para alguém que começou a vida há poucos meses…
Já passei por situações semelhantes que minaram completamente minha autoestima e minha confiança, mas, acabei crescendo e aprendi a me equilibrar na corda bamba de meus sentimentos. Às vezes desiquilibro e caio, mas cair faz parte do aprendizado, afinal de contas, é o cair e o levantar que separa os vencedores dos perdedores, concordam? Os vencedores são aqueles que continuam e os perdedores, aqueles que pararam, que se julgaram derrotados sem ao menos lutar de verdade.
Não importa o lado que você está, se é um ganhador ou perdedor… tais definições são apenas pontos de vistas, já parou para pensar nisso? E, sinceramente, apesar de fazermos parte da mesma espécie, somos completamente diferente uns dos outros. Por exemplo, nunca fui bom em reparos, se não mandarem fazer, não me tocarei… E quando faço, bate aquele medo de deixar as coisas ainda piores…  Mas, para honrar a natureza máscula e propaganda natural, acabamos fazendo, com o dobro do tempo, com o dobro dos gastos, mas fazemos…
Hoje me arrisco em alguns reparos, mas me dou melhor lavando louça, lavando banheiro, fazendo comida… Enfim, cada um tem uma determinada qualidade inerente, algo que nasce e nos acompanha, como essa confissão que escrevo… Durante muitos anos ouvi pessoas apontando minhas falhas, mas quando cresci descobri que podia escrever, tudo bem que esse tipo de arte não é muito bem visto por todos, mas, acaba servindo como relato, como exemplo de como tratar a sua própria cria, respeitando seus limites e aceitando as coisas que ela pode lhe dar. E não do jeito que imaginou receber um dia, afinal de contas, cada ser humano é uma peça natural e complexa para o grande quebra-cabeça da vida.

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