Quem é você que neste momento adentra meu interior?
E por que traz nestes olhos vazios e frios, apenas dor,
Também fechaste minha caixa, trancafiando a tempo
A cura e o sentido para tão doloroso sofrimento…
Diga-me seu nome, já que veio sem ao menos convidar,
E ainda trazendo, na ponta dos dedos, dores invernais.
És uma sombra de esperança; uma luz quase a findar
Que não se pode alcançar, por estar longe demais…
Conte-me uma história, não para dormir, quero hibernar
Deixando-me levar, nos braços quentes da inconsciência
Tudo para simplesmente não lembrar, da lágrima que fiz rolar
Em diversas capitais que velejei em nome desta carência.
Estou seguindo em frente, pois, em algum lugar, sei
Que para tudo encontrarei alguma espécie de razão
Por que em mares naufraguei e por que não me afoguei?
Eu sei quem é você e também, por que maltrata o coração
És tu a pedra gravada com meu sangue, onde falhei
Minha própria consciência, meu carrasco sem perdão.