Sou fã de Stephen King, geralmente, tudo que sai da mão desse autor se torna um sucesso. Suas histórias, sempre extremamente envolventes e contadas de uma maneira que o tornou um dos grandes mestres do terror de nossa atualidade, por sorte, não faleceu quando sofreu um acidente próximo de sua casa. A situação, lembra muito um de seus livros que se tornou filme e que estou para me aprofundar mais um pouco.

Bom, não sou Stephen King, ainda não tive nenhum de meus livros no topo das paradas, mas caso você se interesse, A Casa de Ossos, uma história de terror de gelar os cabelos do c… cabeça. Brincadeiras a parte, não sei se isso é uma regra com os autores, mas, já vivi situações atípicas descritas em algum dos meus livros, claro, nada tão perigoso quanto ao que Stephen King passou, mas, é algo que chama atenção. Será que nossos escritos em determinadas ocasiões podem se tornar reais? Na dúvida, acho melhor pegar leve…

Cemitério Maldito – vamos falar um pouco sobre alguns remakes

Mas, vamos ao que interessa. Bom, particularmente, gosto muito dos filmes antigos, na verdade, para mim, quanto mais antigo, melhor. Ao assistir um filme de 20, 30 ou até mais velho, fico pensando em como aqueles profissionais conseguiram chegar naquele efeito com os recursos daquela época. Caso você queira entender um pouco desses truques, convido para assistir A Invenção de Hugo Cabret, um ótimo filme que tem como pano de fundo um dos maiores e inovadores cineastas que o mundo já conheceu.

Tudo bem que para as filmagens de Cemitério Maldito de 1989, já haviam ótimos recursos para se criar alguns efeitos especiais impressionantes, claro, nada que se compara ao que temos hoje em dia, talvez seja essa razão para alguns filmes clássicos receberem alguns remakes bem interessantes, quer dizer, alguns são muito bem aceitos, outros, nem tanto. E, não aceitos não pelo público mas pelos próprios atores ou diretores que trabalharam nos originais.

Lembro do comentário de Jack Nicholson ao saber que Heath Ledger seria o novo Coringa da saga do Batman, se não me falha a memória, Jack comentou que não existiria Coringa melhor ao que ele interpretou em Batman de 1989. Outro ator que torceu o nariz para um remake foi Gene Wilder que viveu o papel de Willy Wonka em 1971, na minha opinião, um clássico da história do cinema, mas, gorar um remake com direção de Tim Burton e ainda com Johnny Depp como Willy Wonka e o saudoso Christopher Lee como pai do Willy. Desculpe Gene, mas não tinha como ser ruim.

Claro que existiram outros remakes bem interessantes e, comparados com a época e com todas ferramentas que possuíam, bem melhores que os primeiros, no entanto, os originais jamais deixarão de ser originais, o começo de tudo, sem os originais, os remakes não fariam sentido, não é mesmo? King Kong sofreu remake e como se não bastasse Peter Jackson na direção, contou com atores consagrados para tornar a película ainda mais interessante. Mas, entre tantos sucessos, alguns acabam não atingindo tal vitória que, na minha opinião é o caso do novo Blade Runner 2049 com Ryan Gosling que, perdeu toda aquela magia do original.

Cemitério Maldito – remakes de Stephen King

Alguns filmes de Stephen King também ganharam remake, o primeiro sucesso nas telonas do autor, cujo original foi salvo da lata de lixo por sua esposa, Tabitha King, Carrie a estranha. Se não me falha a memória foram dois remakes: 2002 e 2013. Podemos dizer que foi esse filme que deu aquele pontapé feliz na carreira de Stephen King, tanto é que, depois do sucesso de Carrie a estranha nos cinemas, em um prefácio de seus livros, King comenta uma conversa que teve com o seu agente que pergunta sobre sua carreira no cinema e ele diz: no momento estou escrevendo sobre um hotel assombrado.

E falando em hotéis assombrados, O Iluminado de 1980, dirigido por ninguém menos que Stanley Kubrick, acabou gerando muita polêmica por causa da qualidade do filme, os críticos mais severos até julgaram a atuação de Jack Nicholson como “patética”. Provavelmente, essas criticas incomodaram Stephen King e os fãs de O Iluminado, mas, no ano de 1997 eis que é produzida a série O Iluminado, realizada em três episódios que foram roteirizados pelo próprio Stephen King. Este último foi mais fiel ao livro e se tornou um grande sucesso, mas, talvez, para o cinema, devido à duração do filme, acabou não sendo viável.

No ano de 1989 chega às telas O Cemitério Maldito que foi um grande sucesso de bilheteria e mais uma vez com Stephen King assinando o roteiro. A direção ficou a cargo de Mary Lambert que, até este ano, havia trabalhado apenas na direção de vídeoclips para diversos artistas. No cinema estreou com o filme em questão e no ano seguinte, dirigiu todos os episódios de “Os contos da Cripta”.

Quanto ao roteiro, não temos muito que falar, afinal de contas, foi escrito pelo próprio autor, ou seja, seguiu perfeitamente a sua ordem cronológica de fatos e, com participação especial de Stephen King rezando a missa do garotinho que foi atropelado. Se você acha que foi o Stan Lee que começou com esse negócio de aparecer em seus filmes em papéis um tanto quanto cômicos, saiba que Stephen King já fazia isso em 1989.

Já em O Cemitério Maldito 2019 temos um filme que tem a alma igual, mas um corpo muito diferente. Primeiro que o roteiro não foi escrito por Stephen King, aliás, se já tinha um roteiro escrito, para que escrever outro, não é verdade? Mas, escreveram e por sorte, um dos roteiristas encabidos pela nova roupagem do filme é um profissional de peso, Matt Greenberg que trabalhou em sucessos, como: 1408, O Sétimo Filho, Reino de Fogo, Anjos Rebeldes 2, Colheita Maldita 3 e por ai vai, seu parceiro de roteiro não é tão conhecido, Jeff Buhler que trabalhou no filme: Maligno que também foi produtor executivo. Na direção temos Dennis Widmyer que não trabalhou em grandes produções, mas que também não é um estreante.

O Cemitério Maldito e as diferenças

Geralmente é muito comum encontrarmos em determinadas produções algumas alterações realizadas, ora pelo diretor, ora pelo roteirista ou até mesmo pela produtora. Prova clara disso aconteceu no filme, A Corrente do Bem de 2000, estrelado por Kevin Spacey, Helen Hunt e Haley Joel Osment, no livro em que o filme foi inspirado, Eugene Simonet é negro e tem queimaduras no rosto, já no filme o personagem é vivido por Spacey.

Bom, mas vamos seguir, em O Cemitério Maldito de 89, quem sofre o acidente e acaba sendo enterrado no cemitério maldito é o caçula da família Creed, Gage já no remake de 2019 quem acaba sendo enterrado no cemitério é a filha mais velha do casal, Ellie. Não sei se isso foi proposital devido a quantidade de filmes de terror em que temos garotinhas protagonizando o mal, mas achei a atuação de Jeté Laurence, formidável, bem diferente da atriz original, Blaze Berdahl que chegou a irritar os ouvidos com seus choramingos intensos em determinados momentos, mas, provavelmente isso foi agravado pelas condições de gravação de áudio.

Outra diferença que temos entre os dois cemitérios malditos é o gato. Tudo bem, é um detalhe muito pequeno para levarmos em conta, mas, não vou me lembrar do livro neste momento, mas provavelmente o gato do filme de 1989 é o mais parecido da descrição literária. Não sou um profundo conhecedor dos felinos, mas o do primeiro filme é um tal de Azul Russo e do segundo, um Maine Coon (será que é uma homenagem ao Maine que King tanto ama?) e, detalhe, lembra daqueles filmes polêmicos como O Exorcista, A Profecia ou até mesmo A Paixão de Cristo de Mel Gibson que sempre acontece alguma morte, doença ou acidente? Pois é, o gato que interpretou Church em O Cemitério Maldito 2019, faleceu…

Outro ponto que sempre vale destacar a respeito dos remakes contra os originais é que, comumentemente, sempre acabam caminhando em outro sentido. Particularmente, talvez seja uma forma da indústria cinematográfica trazer de volta do fundo dos arquivos de rolo de filmes, grandes trabalhos que marcaram, não somente uma época, mas uma geração. Isso pode incomodar os mais tradicionalistas? Pode, mas não deixa de ser uma forma de apresentar para o novo público antigos sucessos com uma cara completamente mais atual, ainda mais hoje em dia que o público está mais acostumado com as grandes produções milionárias.

Por exemplo, hoje em dia, a maioria dos filmes acabam se transformando em franquia. E como isso funciona? Vou explicar, mas para isso, vamos pegar o Cemitério Maldito 2019 como exemplo. Eles finalizaram o filme de uma forma diferente, dando a entender que poderá existir uma continuação do filme. Se a bilheteria bater uma determinada marca e apresentar lucro, com certeza investirão na sequência, agora, caso o filme não atinja uma determinada marca… Ficará como Eragon, Bússola de Ouro, apenas com um filme e que se explodam os fãs que gostaram… Indústria é indústria, não é verdade?

A partir daqui teremos spoilers na lata, ok? No Cemitério Maldito de 89, o filme termina com o pai atiçando fogo no filho que matou a sua esposa. E como se não bastasse a burrada de ter enterrado o filho, ele enterra a esposa achando que poderá voltar melhor por ter sido morta a poucos momentos pelo filho. Ele volta do mesmo jeito, mas até aí… Já na versão 2019, Ellie mata os pais, os enterra no cemitério maldito e acaba o filme com os três mortos vivos andando na direção do único sobrevivente da família, Gage que ficou no carro. Diz ai se não dá para realizar uma ótima continuação com essa informação, ainda mais para os produtores que buscam uma explicação para os mortos vivos.

Qual é o melhor Cemitério Maldito: o original ou o remake?

Bom, eu curto muito filmes antigos, às vezes tenho que assistir mais de uma vez para prestar atenção em cada detalhe do filme, seja roteiro, efeitos, direção, fotografia, etc. Os filmes antigos para mim são muito mais artísticos que os filmes de hoje em dia, naquela época, o cinema costumava se intitular de sétima arte, hoje, está mais para Indústria cinematográfica devido a necessidade de ganhar dinheiro com entretenimento, mas isso, falarei em outra postagem que já está começada por aqui.

Mas, voltando ao Cemitério Maldito, tirando à pequena Ellie estridente do antigo, o filme é muito interessante e segue uma harmoniosa decorrência de fatos, isso sem mencionar o roteiro que segue sem brechas… Bom, naquela época o King curtia tirar o pó de algumas superfícies… Detalhes particulares a parte, o filme entrega o que desejado e curti muito a direção e tomadas de câmera da diretora, provavelmente uma especialidade que adquiriu dirigindo videoclipes.

Quanto ao Cemitério Maldito 2019, o remake segue a ordem natural dos acontecimentos, denota algumas partes para dar mais profundidade para as emoções das personagens e segue com um roteiro bem interessante e bem escrito. Claro que, com um final completamente diferente do primeiro, o que torna o remake um forte candidato para uma continuação nesta nova realidade da Indústria Cinematográfica onde, filmes baseados em experiências reais de um casal ganham diversas continuações e vários spin-offs. Resumindo, Cemitério Maldito vale a pena ser assistido, seja ele de 1989 ou seu remake de 2019. Muito bom por sinal.