Tudo no mundo evolui, cresce e melhora conforme vamos seguindo com a vida, a cada momento, nossa consciência vai se aprimorando e se ajustando as nossas realidades. Hoje em dia tudo é wi-fi, internet discada podemos dizer que é jurássico, até os Pokémons evoluem, hoje estão em todos os lugares, vai saber se não tem um aqui em minha sala agora.

Algumas coisas não deveriam evoluir, pois nem sempre evolução quer dizer melhora, por exemplo, minha mãe que não cursou mais do que a quinta série me dá um baile de matemática. Na minha época de escola, professor ganhava pouco, mas pelo menos era respeitado pelos alunos, não eram jurados de morte. E ainda no quesito educação, os profissionais que se formavam, eram realmente profissionais.

Outra coisa que evoluiu foi a medicina, hoje em dia, operações e curas que eram apenas sonhadas, hoje são realidades e por isso sempre digo, sonhar é um dos primeiros passos para conquistarmos o que queremos… Mas, infelizmente, os hospitais não evoluíram e a cada ano parecem mais pequenos ainda, como a educação e respeito desses novos profissionais que são responsáveis pela saúde pública.

E agora, o ponto G do texto… Para quem não sabe, o cinema brasileiro também evoluiu, aquela história de sexo, sexo e sexo, hoje em dia está um pouco fora de cartaz, nada explicito como outrora, quando jovens masturbadores de plantão se acabavam nas pornochanchadas… Para ser franco, algumas produções nem sexo exploram, provavelmente deixam para as novelas que hoje estão cada vez mais parecidas com a Sexta Sexy. Pois é, pois é, pois é…

Um grande exemplo dessa evolução que você precisa, ou melhor, deve ver com seus próprios olhos é o filme De onde te vejo, estrelado pela fantástica Denise Fraga e por Domingos Montagner, a química entre esses dois atores é simplesmente simbiótica. Sério mesmo, deu um prazer a mais vê-los atuando em uma história tão delicada, bem escrita e maravilhosamente bem alocada. Pensando com meus botões, não me recordo de nenhum filme nacional que me deu tanto orgulho.

Fiquei muito impressionado com a fotografia do filme e com o olhar terno e sublime do diretor Luiz Villaça, cheguei até mesmo a escrever para ele parabenizando-o pelo trabalho, mas como sou ninguém como a Aria Stark, as respostas nunca chegam em minha caixa de e-mail. Mas, tudo bem, valorizei a cultura do meu país deturpado e desrespeitado pela corja política…

Mas, vamos ao filme né… De onde te vejo narra a vida de um casal recentemente separado, até aqui, nenhuma novidade, não é mesmo? Pois bem, o marido aluga um apartamento do outro lado da rua e começa a conviver com sua antiga família pela janela, entre idas e vindas e a mudança da filha para uma república por causa da faculdade, o casal… Bom, acho melhor não continuar pois sempre é perigoso soltar algum spoiler. Melhor você assistir, ok?

Queria deixar algo claro, o momento que surgiu a ideia de escrever esse texto. Quando assisti ao trailer, fiquei maravilhado com o tema e louco para assistir, não tive oportunidade de ir ao cinema então, tive que esperar o lançamento em DVD. Assim que os créditos começaram a subir, me vi sentado no sofá, estático, com aquele sorriso aparvalhado de um garotinho que viu a menina mais linda da escola pela primeira vez na vida. Sério, sem exageros.

O roteiro do filme, os diálogos, à maneira dos atores interagirem, a luz, o cenário, aqueles tons bucólicos… Nossa, eu realmente me apaixonei pelo filme… Enfim, estava dando uma passeada pelo site e notei que há tempos não escrevia sobre filmes e decidi falar sobre esse, isso aconteceu ontem, 14/09/16, nem passava por minha cabeça que, aquele Fábio do filme, interpretado pelo Domingos Montagner, faleceria depois de um mergulho no rio.

Cheguei a pensar em não escrever esse texto, sei lá, com as ferramentas de busca, talvez poderiam se deparar com meu texto e, jamais pensaria em criar visualizações devido ao falecimento de alguém tão especial para muitas pessoas e, principalmente para sua família. Domingos marcou o cinema com sua maravilhosa atuação neste filme, que recomendo, ele sempre estará ali, com o seu sorriso sincero, com seu talento fantástico que, com certeza, encantaria muitas e muitas mulheres pelo mundo. Fica aqui uma homenagem, a outra estrela que se apagou na terra para brilhar lá nos palcos do céu.

Mais uma vez… Não entendi… E se você ainda não assistiu, mais uma vez lhe convido para assistir e vir me contar o que achou e, não tenha medo e esqueça aquele preconceito a respeito dos filmes nacionais, claro que em alguns ainda existem alguns palavrões aqui e acolá, mas em determinados casos é extremamente necessário… Imagine se na hora que o Zé Pequeno se apresenta não dissesse “Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra” mas sim: “Dadinho, não meu jovem, meu nome agora é Zé Pequeno, as suas ordens”. Sem essas frase, com certeza Cidade de Deus não seria o que é…

Sinopse do filme:
De Onde Eu Te Vejo conta a história de amor de um casal através de sua separação. Em meio a uma São Paulo em constante mudança e efervescência cultural, Ana Lúcia (Denise) e Fábio (Domingos) se separam após 20 anos de casamento e ele passa a viver no apartamento do outro lado da rua. Eles terão que aprender a viver a nova realidade – a separação, a crise no trabalho e a mudança de cidade da filha – e perceberão que no meio da confusão da vida moderna é possível reinventar uma nova forma de amar.

Elenco: Denise Fraga, Domingos Montagner, Marisa Orth e Manoela Aliperti
Diretor: Luiz Villaça
Produzido: Bossa Nova e Warner Bros.
Distribuidora: Warner Bros. Entertainment Inc.
112 Min. – Censura 12 anos