Diga-me com quem tu andas e te direi quem és

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Confesso, não sou tão inteligente quanto gostaria de ser. Talvez, se fosse, poderia ter decifrado o segredo para ganhar na mega-sena e estaria sentado em pleno solo lunar sobre uma espreguiçadeira, observando o mundo completamente isolado de tudo e todos, mas não sou…

Outra prova de minha falta de inteligência é o fato de ter desperdiçado minha adolescência com coisas que se tornaram apenas: boas lembranças. Hoje penso nesse tempo perdido… Foi uma escolha equivocada? Talvez… Mas, naquele momento de minha vida, foi o que preferi fazer. Mas, como dizem, nunca é tarde para aprender. Uma grande verdade. Pena que o pique, a capacidade e a paciência não sabem disso.

Os poucos anos que me mantive na linha, sendo um garoto estudioso, como manda o figurino, recordo-me dos conselhos dos mais velhos que viviam proferindo que era preciso andar em boa companhia, afinal de contas, quem anda em má companhia acaba seguindo para o lado negro da força. Esse foi um dos grandes medos de meu avô, quando meu pai decidiu seguir seu caminho para longe da família. Por morarmos na periferia, achou que seria mais fácil nos perder pelo caminho do que chegar algum lugar.

Enfim, dei algumas cabeçadas? Para ser franco, dou até hoje. Mas todos estão seguindo suas vidas, com suas famílias e nenhum de meus irmãos seguiram para o tão temido lado negro. Graças ao bom God, é claro. Talvez, seja fruto dos esforços de minha mãe ou a insistência de tantas pessoas nos dizendo: não ande com fulano que não é flor que se cheire. Como sabemos: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Sempre fui extremamente curioso e cheguei a questionar uma pessoa mais velha assim que repetiu aquele conselho patrão. E já fui me defendendo: não faria um negócio desses! Foi aí que responderam que sabiam que não faria nada daquilo, porém, quando se anda com pessoas assim, mesmo jurando de pés juntos que não fazemos nada de ruim, que estávamos ali pela amizade ou até mesmo, pelo acaso, a polícia nos leva junto como cúmplices.

Isso é uma realidade. Quantos amigos não foram parar na delegacia por estarem conversando com alguém que estava com algum tipo de droga no bolso? Eles não tinham feito nada, só estavam conversando com seu amigo que, por azar do destino, era dependente químico… Mesmo tentando se justificar, não tinha conversa. É bem naquela: diga-me com quem andas e te direi quem és.

Isso sem mencionar que, muitas pessoas, – eu pelo menos – se estou vendo que determinada pessoa, seja amiga, conhecida ou qualquer outra coisa próxima, começa a ter uma atitude que sei que vai dar merda, aconselho e tento mostrar que o negócio vai feder… Se a pessoa escuta: lindo! Mas se a pessoa escuta e mesmo assim ignora e parte para a perpetração do fato. Desculpa, mas o senso de proteção me repele para longe.

Uma das piores coisas (para mim, pelo menos) é quando chamam minha atenção pela falta dos outros. Se vai chamar minha atenção, chame pelos meus próprios erros e não por causa da pessoa que estava ao meu lado. Por esse tipo de pensamento, sempre me julguei meio traíra. Mesmo tendo levado a culpa por outras pessoas.

Enfim, nunca fui pessoa de cair na briga por causa de amigos que arrumaram confusão, mas, já corri de gente atirando contra um amigo que havia mexido com uma moça que não devia e que não avisou nenhum de nós do grupo sobre o incidente. Se tivesse acontecido o pior, talvez, não estivesse aqui escrevendo…

Meus amigos eram pessoas de bem. Estudiosos, trabalhadores, etc. Alguns gostavam de pisar nos outros e darem uma de machão de vez em quando na frente das garotas, mas, todo garoto com espinhas na cara e pelos nas palmas das mãos fazem isso. Não bebiam, não fumavam, mas de vez em quando, pisavam na bola. Ninguém é perfeito, não é verdade?

Tive fama de viciado em meu bairro. Não andava com ninguém suspeito, era apenas pelo fato de ter cabelo comprido e ouvir Heavy-Metal. A única pessoa que andei que me deu fama de maconheiro foi um rapaz que conheci na Lapa e passou a frequentar minha casa. O pessoal achava que era maconheiro por causa do jeito que fumava seus cigarros. Ele gostava de fumar até o filtro e para conseguir tal feito, segurava-o pelas pontas dos dedos. As pessoas achavam que era maconheiro, mas era apenas um garoto que não tinha dinheiro para comprar cigarros sempre e, quando tinha, fazia questão de fumar tudo até a última ponta.

Hoje entendo que algumas pessoas se deixam levar pelas aparências, ainda mais naquela época em que as coisas eram bem diferentes do que são hoje. Por exemplo, ser maconheiro na minha adolescência era ser drogado, malfeitor, marginal, entre outros. Hoje, ser maconheiro é estar na moda, é fazer tratamento medicinal, é ser adepto da natureza, isso quando não justificam proclamando em alto e bom som como se fosse à coisa mais normal do planeta: faz menos mal que cigarro.

Se essa informação procede, não sei… Mas sei que, se a polícia flagrar alguém com uma quantidade elevada e ainda, não estiver em um bom dia, vai o portador e quem estiver com ele para a delegacia. A pessoa pode estar com uma bíblia debaixo do braço, vai junto. Se não for como cumplice, vai como testemunha.

Maconha se tornou tão comum que chega a ser banal utilizar como exemplo, porém, dependendo da quantidade, realmente pode trazer sérios problemas para seu portador e para quem estiver por perto. Isso não é algo que se restringe apenas ao mundo das drogas ilícitas, mas para qualquer ato que vá contra as leis criadas pela sociedade, e seja lá quem estiver ao lado do infrator, qualquer que seja a pessoa, roda junto, quer dizer, a não ser que seja Presidente da República.


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