Era para ser – Natália Moreno

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Era para ser tudo leve, mas guardamos desavenças…

Era para ser tudo leve, mas guardamos desavenças. Eu disse para deixar para lá, que o passado deveria ser esquecido. Eu estava ali só para nós.

Você não esqueceu. Gritou desaforos e eu fui me diminuindo, caindo no chão com cada palavra dita.

Não suportei ser a única atingida. Me levantei e vomitei o que eu guardava de rancor por você.

No dia seguinte, pedimos desculpas, mas no fundo tínhamos uma bagagem cheia de ódio.

Era para ser tudo descoberta, mas nos perdemos…

Era para ser tudo descoberta, mas nos perdemos. No meio do caminho tinha uma pedra e a gente não pulou. Tropeçamos e ficamos ali caídos.

Você assoprou meu joelho ralado e eu gritei que aquilo encheria o machucado de micróbios.

Você se levantou, desviou da pedra e seguiu seu caminho. Eu dei meia-volta e fui chorar sozinha em casa.

Era para ser infinito, mas…

Era para ser infinito, mas não deixamos ser. Na balança do amor o que menos tinha era ele próprio.

Em uma noite de lua minguante pegamos nossas mochilas pesadas, dissemos adeus e demos as costas para o que era para ser e não foi.

(Texto desenvolvido para o desafio de prosa poética da Revista Villa das Palavras – seu comentário é muito importante)


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3 comentários em “Era para ser – Natália Moreno”

  1. A Natália utiliza o recurso de repetição de determinados termos para dar uma sonoridade ao texto, algo muito comum nos poemas. Além disso, o texto me trouxe um sentimento de rompimento, de promessas feitas e que foram com o vento. Muito bom, curti.

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  2. Adorei a construção própria pra refletir algo q já foi apresentado pra dar mais ênfase no sentimento e profundidade. Mto inteligente. E senti mto essas palavras. Amei.

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