HOJE PENSEI EM ALGO QUE SABIA HÁ MUITO TEMPO

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Algumas ideias surgem quando menos esperamos. Elas aparecem daquele jeito inesperado e, parecem que sempre estiveram ali, mas que nunca lhe demos a verdadeira atenção que era preciso para percebermos o que sabemos e o que fingimos não saber, ou melhor, o que é melhor fingir saber.

Cheguei em casa após um dia comum de trabalho, peguei o mesmo ônibus lotado de todos os dias, vi algumas pessoas que costumo encontrar e outras que nunca vi em minha vida, lia o mesmo livro, mas outras páginas do mesmo e entre um virar de página e outro, pensava na louça que me esperava. Não tenho nada contra lavar louça, claro, quando não alimentamos um monstro que cresce a cada dia, como minha pia não é uma das maiores, dois dias ignorando-a, ela quase se transforma no homem de lata do Mágico de Oz.

Enfim, segunda-feira, não tinha como escapar e não queria escapar, precisava dar um jeito em tudo e então, comecei a lavar as minhas louças… Os meus garfos… As minhas colheres… As minhas panelas… Os meus copos… E, subitamente me veio algo na cabeça, nada do que tenho, literalmente é meu.
Tudo que está aqui, tanto os livros, os instrumentos musicais, os cadernos que escrevo, os filmes e tudo mais que digo possuir, não possuo, pois não poderei usufruí-los para sempre. Chegará um momento que eles serão apenas uma vaga lembrança do que fui, do que fiz e do que deixei de fazer enquanto estava por aqui. Apenas uma doce ou amarga recordação… Tudo depende de como orquestrarei minha vida… E como torná-la uma melodia sendo que, muitas vezes, atravessamos tempestades tão grandes que se torna impossível chegar no dia seguinte sem perder absolutamente nada.

Nem mesmo este corpo posso chamar de meu. É apenas um veículo momentâneo que utilizo para deslocar-me de um lugar para outro, procurando as verdadeiras razões de viver e crescer e que, muitas vezes não percebemos… O que é nosso neste mundo afinal de contas? Achamos que temos um carro, uma casa, bens, nos abraçamos a eles como se pudessem devolver algo que jamais poderão nos dar: a reciprocidade de sentimentos. O que são os bens além de prêmios pelos nossos esforços, pela nossa luta, fé e dedicação? Mesmo com tanto esforço, não serão eles que levaremos daqui, até mesmo nossas roupas ficarão numa caixa, como também o pó e os restos de um ser que um dia existiu materialmente e agora, existe de outra forma, mentalmente.

Tudo que levaremos deste plano são as sensações que tocam o nosso íntimo. A lembrança de um momento único que nos emocionou tão profundamente que ficará gravado em nossa memória… Como o nascer de uma nova vida, como um sorriso verdadeiramente sincero, uma lágrima que vimos escorrendo em um rosto que amamos e que fomos causadores, a lembrança de um passo que deveríamos ter dado, mas que não demos devido a pensamentos que nem nós mesmos poderíamos entender… Enfim, todos aqueles sentimentos que tocam nossa alma e que nos fazem perceber que somos feitos da mesma matéria e que, todos, teremos o mesmo destino.

E, pensando nisso tudo, me questiono com o que tenho feito com o meu tempo… Tudo passa tão rápido que nem percebemos quantos anos já se passaram desde que completamos nossos 18 anos… Janeiro começa a partir lentamente, o ritmo era para ser de festa, mas carnaval, só em Março… Mas o tempo continua correndo, como um trem expresso que não para em restaurantes de estradas, pois na estrada da vida que trilhamos, tudo deve ser vivido da melhor maneira possível …

Ter é importante para nossa existência, mas fazer é o que torna nossa existência significativa, com algum propósito. Vivemos em uma sociedade, e todos sabemos o significado que ela tem no Aurélio, mas muitos esquecem que palavras também são ações e que, muitas ações referente a esta palavra acabaram se perdendo em um véu material e passageiro… Não estou dizendo para largarem suas vidas e viverem de brisa, mas estou dizendo para continuarem conquistando suas realidades sem se privar de uma brisa que sopra os cabelos, de um banho de chuva descalço na chuva, enfim, das coisas que não podemos tomar para nós por que não conseguimos segurar, mas que sabemos que existem, por alguma razão, pelas mesmas razões de estarmos aqui, neste momento.

E quais são suas razões? Quais são suas sensações? Você prefere o ter ou o fazer? O seguir em frente? Ou o esperar acontecer? Estamos vivos e é tudo que precisamos para mudar a nossa história ou, ajudar a escrever outras que não possuem o que temos ou algo que nos falta. No final das contas, todos nós estamos viajando no mesmo trem com destino ao desconhecido.


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