Injustiça com o guarda-roupas masculino

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Primeiramente quero me desculpar pela demora na produção do episódio nº 4. Alguns problemas técnicos e uma lapidação exaustiva da crônica nº 3 demoraram mais que o esperado. Mas espero que curtam a crônica da semana. Ouça o programa e não esqueça de compartilhar com seus amigos que curtem um podcast.

Áudio do Cronicast no final do texto abaixo

Vamos começar essa crônica chamando atenção para um detalhe: você já notou que nós, homens, contamos com algumas desvantagens no quesito vestuário? Se você parar para analisar, perceberá que nossas roupas seguem uma espécie de padrão, não existem variações. Saía para homens? Somente se estiver na Escócia ou músico de alguma banda de sucesso. Por aqui só existem: calças, shorts ou bermudas e mesmo assim, que variam apenas de cor, marca e alguns modelos, o restante, é tudo a mesma coisa.

As mulheres não contam com essa singularidade em seu vestuário, talvez seja essa uma das razões que causam tanto atraso ao se arrumarem. São muitas opções, muitos estilos de roupas, uma para cada estação, emoção ou local. Se a mulher quer ser charmosa: um tomara que caía lhe cai maravilhosamente bem; se quer passar ares de respeito, uma roupa mais séria, sensata, desprovida de decotes e com cores pastéis pode deixar bem claro o recado que não está ali para muita brincadeira. Agora, se ela quer seduzir… Isso é muito fácil.

E falando em sedução: como nós, homens, seduzimos uma mulher com nossas roupas? Qual o sinal que deixamos claro em nossas vestimentas? Qual o tipo de sinal que enviamos ao sexo feminino para avisar que o parque de diversão está limpo e que os ingressos podem ser comprados? Seria uma braguilha aberta, algum tipo de sinal? Se sim, não sei, mas costumam perguntar se o passarinho vai voar. Passarinho? Sério mesmo? Usar diminutivos não é uma boa maneira de se referir a essa parte de nosso corpo, afinal de contas, não queremos ter passarinhos, mas sim, Pterodátilos famintos e adormecidos abaixo de nossas virilhas, melhor ainda, pelicanos… Já parou para pensar que os pelicanos têm mais a ver do que com um simples passarinho?

Acho que essa relação foi devido ao antigo comercial da Zorba em que aparecia uma espécie de pintinho amarelo saído diretamente de um episódio da Vila Sésamo. Se você é do tempo das cuecas box, só recorrendo ao Youtube para encontrar esse comercial e, particularmente, eu que usei uma dessas, fico pensando… Eles achavam genial o passarinho do comercial colocando a cabeça para fora em uma espécie de abertura que havia bem acima de outra abertura. E, sinceramente, aquilo era incomodo demais, ainda mais se tratando de uma cueca velha e esgarçada.

No comercial podia até ser “bonitinho” ver o passarinho saindo, mas na vida real, ter aquele fato acontecendo era simplesmente incomodo. Provavelmente essa era uma das razões dos homens de antigamente ficarem o tempo inteiro com as mãos dentro da cueca, com certeza estavam colocando o passarinho em seu devido lugar. Mas, acredito que esse tipo de cueca tenha um porque extremamente visionário e revolucionário. A cueca, como qualquer outra peça do vestuário conta com elásticos, conforme vamos baixando ou puxando para o lado ou para baixo, ela vai se esgarçando com o tempo até perder totalmente sua elasticidade.

E os cientistas da época tiveram a maravilhosa ideia de criar uma espécie de abertura sobre a cueca para facilitar essa possibilidade. Esse pedaço de pano costurado não contava com elástico e era bem maleável para ser puxado para o lado e deixar o “minino” desaguar a vontade sem o medo de ficar com uma cueca velha e enlarguessida. Tudo bem que hoje em dia essa peça do vestuário masculino é artigo de museu, por isso, se ficou interessado, só na internet mesmo.

Falando em tecnologia, esse tipo de cueca perdeu espaço para as cuecas boxes, apesar que, sinceramente, a utilização da palavra box logo após a cueca serve apenas para situá-la na linha do tempo da evolução de roupas masculinas que, provavelmente acontece de século em século. Ok, ok… Hoje em dia existem muitos outros tipos de cuecas, mas nenhuma dessas é possível encontrar nas Lojas Americanas ou Pernambucanas, ainda mais na promoção: compre cinco por três.

As cuecas, digamos, mais evoluídas são artigos de sex shop e, nada muito agradável de usar em nosso dia a dia. Imagine só você com um fio de couro dividindo os hemisférios bundais o dia inteiro. Se já suamos normalmente por causa de nossos pelos, imagina com um pedaço de couro dividindo as popas… Uma visão do apocalipse, com certeza… Mas, se você não curte um fio atravessando o Rego Freitas, e mesmo assim gostaria de adquirir uma dessas roupas íntimas, não esquente a cabeça, existem cuecas que deixam as popas completamente livres e a parte da frente cobertinha com uma tira de tecido. Algo que, se pararmos para analisar é muito estranho, afinal de contas, é o playground que deveria ficar descoberto, não?

Sério meu querido, nós, homens, não fomos criados para desfilarmos pelo mundo. Acho que fomos criados para andar e apreciar as belezas do mundo, talvez seja por essa razão que a mulher tenha ficado com todos os adereços mais belos e encantadores. Nós, homens, temos a cueca box e as mulheres, a calcinha de renda, a calcinha asa delta, a fio dental, a calcinha dos tempos de nossas vozinhas e por aí vai… Quanto ao público masculino, apenas as cuecas boxes, ou aquela que, já pelo nome indica que é do tempo dos dinossauros, samba-canção!

Também não temos nenhuma roupa com um nome sugestivo, como por exemplo, o tal de “tomara que caia” e não cai nunca. Quando as mulheres usam esse tipo de roupa, deixando as curvas bem feitas de seus ombros que vão se alinhando perfeitamente com seus pescoços, é um arraso. Se nós, homens tivéssemos algo assim, com certeza seria uma visão do inferno ficar olhando para aqueles pelos de cinco centímetros despontando em nossas costas. E falando em pelos… Quando a mulher se abaixa e aparece o cofrinho é um charme, quando homens se abaixam e aparecem seus cofres cheios de pelos é uma afronta.

Talvez seja por essas e muitas outras razões que as mulheres contam com uma possibilidade de vestuário muito maior. Homens não costumam reparar em uma mulher vestida pelo simples fato de querer vê-las peladas, com certeza essa é a maior razão de não pararmos por um segundo para elogiar uma produção que nos custou alguns minutos de atraso. E, apesar de reclamarmos do atraso, não vemos a hora de tirar toda aquela produção e partir para o ataque, para depois de alguns minutos, deitarmos ao seu lado ofegante sem ao menos lhe dizer como estava bela.

Claro que uma mulher quer ouvir como ela é gostosa, mas não passamos a maior parte de nossas vidas na horizontal. A mulher também quer ser apreciada, elogiada, valorizada por conseguir cuidar da casa, dos filhos e ainda ter pique para dar uma namorada na beirada do tanque enquanto lava a roupa. Tudo que uma mulher quer, é ser observada, levada a sério, seja usando os perfumes mais caros, acordando pela manhã sem toda produção ou com cheiro de cândida nas mãos. É isso que uma mulher quer e infelizmente, mesmo tendo um arsenal de possibilidades para vestir, nós, homens, muitas vezes, deixamos de apreciar, o papel de nosso maior presente! Mas, o que esperar de um gênero esquecido e negligenciado não somente pela moda de roupa íntima, como também a mais comum. Talvez seja uma espécie de justiça divina, vai lá saber.


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