A magia do livro começa ao escolhê-lo na livraria. Quando pegamos e olhamos para sua capa, tentamos imaginar o que existe por trás daquelas paredes de letras, tudo é muito rápido e mal paramos para sentir o peso das ideias em nossas mãos, nossa atenção e sede viram o livro e se deliciam em um pequeno resumo do livro que chamamos de sinopse, algo como: um trailer teaserde algum lançamento espetacular. Não sabemos o que nos espera e então, compramos para descobrir o que o autor quer nos contar.

Às vezes dá certo medo. Escrever é como cozinhar, cada um tem o seu tempero e as suas maneiras de preparar seu prato. Alguns preferem temperar o feijão já dentro da panela, outros, preferem cozinhá-lo na pressão e depois temperá-lo. Quando nos deparamos com um livro de um autor que não conhecemos, não sabemos se iremos curtir ou não o seu tempero, mas, se a história prometer, por que não dar uma chance para novas experimentações?

Os autores consagrados já conhecemos, por isso compramos seus novos trabalhos sem hesitar, sabemos que não nos decepcionaremos, que o prato é de ótima qualidade, contudo, vale lembrar que até os mais perfeitos gourmets erram de vez em quando, afinal de contas, o mundo visto pelo lado de fora pode parecer mais lindo do que verdadeiramente é… Apenas uma forma de defender os autores consagrados que lançaram algo que deixaram a desejar.

Não é o caso de Carlos Ruiz Zafón que em cada obra traz seu universo mágico e único, sem mencionar o ingrediente especial que tanto aprecio. Alguns autores conseguem passar ao leitor o prazer que tiveram ao escrever determinada história, Zafón é um desses autores que conseguem tal façanha.

Por isso, O Prisioneiro do Céu, editora Suma de Letras é uma ótima pedida para quem está procurando um bom livro. Sempere & filhos continuam na história, juntamente com um dos maiores cavalheiros que a literatura já concebeu Firmen em suas aventuras por uma Barcelona repleta de mistérios, segredos e de uma biblioteca repleta de livros especiais que aguardam seus leitores. O livro conta a história de Fermin e que aguça os leitores a relerem O Jogo do Anjo, outra das grandes histórias do autor que também compartilha o universo fantástico do Cemitério de Livros.

Se você não teve a oportunidade de conhecer os trabalhos de Zafón, fica aqui a dica. Um autor único que possui a capacidade de conquistar os leitores no início de suas obras. Aconteceu comigo com A Sombra do Vento, que ganhei do porteiro do prédio em que trabalho, Lidio. Este primeiro abriu as portas para os demais e, por isso, posso afirmar que, todos os livros do Zafón valem a pena ser lido.