Mesmo assim, ainda somos os mesmos

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Tenho notado um certo silêncio gélido em você. Quando me olha, sinto um grande abismo se formando entre nós, até gostaria de segurar sua mão, mas… Sabe quando bate aquele medo de dizer o que não se deve, de fazer aquilo que não se pode… Pois é, fico sem saber o que fazer e tento fazer tudo que posso e acabo complicando tudo, um pouco mais.

Sei que sempre fui um grande tolo no campo do amor, um libriano com todas as letras e estrelas que formam uma constelação estilo panetone*. Gostaria de ser diferente, de não ser tão cheio de coisas e fácil de se lidar, mas, sou o que sou, um imenso emaranhado de resultados de tudo que vivi. Existem lágrimas em meus olhos, espinhos em meu coração, mas também existe esperança de que tudo faz parte de um caminho.

21-01-2015 – São Paulo – Parque do Ibirapuera. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

De um caminho que devemos trilhar, seguindo sempre adiante, sem medo de tentar ser feliz, afinal, tentar é tudo que nos separa de atingir o ponto que tanto almejamos. Sei que não dá para sorrir todo tempo, mas que os momentos bons sejam mais dignos de serem lembrados, pois são tais lembranças que nos lembram que ainda vale a pena, ao contrário das lembranças que trazem nuvens negras e tristes para nossos corações… Quando um relacionamento se resume à lembranças ruins, é sinal que precisamos mudar de caminho.

Não é o nosso caso, por felicidade, não me recordo de nossos momentos torrenciais, pelo contrário, lembro daqueles que me fazem crer que estou com a pessoa certa. Como no dia que nos conhecemos, aquela chuva no parque, aquelas cristãs de saías longas andando de bicicleta e brincando em uma poça d’água, aquela exposição de quadros pintados à grafite que lembram imagens em wireframe no Corel Draw e também da Polícia que estava fazendo ronda por ali… E principalmente, da sensação que tudo, tudo que acontecia ao nosso redor, incluindo cada pingo de chuva fazia parte do que um dia nos tornaríamos e que nem nós sabíamos.

Aquele foi o nosso primeiro e último dia. Dois momentos especiais sendo iniciados em apenas um episódio de nossas vidas. Depois daquele dia, meus lábios não tocaram nenhum outro lábio além dos seus e espero que os seus também (rs). Já parou para pensar como uma simples instante pode mudar tudo? Naquele dia, sequer tínhamos ideia que estávamos prestes a viver, sequer tínhamos ideia de até quando aquilo iria durar.

A paixão daqueles beijos primaveris arou o solo de nosso coração para que pudéssemos plantar e cuidar de algo que crescia por ali. Aos poucos, a semente começou a crescer e passou a se entrelaçar em um plano etéreo que orbitava quando estávamos juntos. Os dias foram se transformando em semanas, semanas em meses, anos em anos e assim por diante.

Parque Ibirapuera – São Paulo (SP) – 09.09.2014 – Geral – O Parque Ibirapuera reúne diversas opções de lazer, esporte e cultura, entre bosques, jardins, gramados e um lago. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n Vila Mariana. Fotos: Jose Cordeiro/SPTuris

Hoje estamos aqui, não comemoramos mais os meses, agora, somente os anos e mesmo assim, alguns acabam passando despercebidos diante à correria de nossas vidas. Por mais que estejamos unidos sob o mesmo teto, temos nossas próprias vidas fora de nosso relacionamento, nosso trabalho, nossos problemas, nossa liberdade de existência dentro de um companheirismo conhecido por amor, onde, por mais que estejamos juntos, ainda continuamos com nossas próprias identidades.

Mesmo assim, tenho notado um silêncio em teus lábios, sinto que fiz ou não fiz algo que deveria ter feito e, por isso, peço desculpas. Por todas as vezes que deixei nossa data especial passar, todas as vezes que me esperou com segundas intenções e as minhas estavam em outro lugar. Sinto muito por ser como sou, cheio de compromissos, de traumas, de silêncios e mistérios em um coração que já viveu demais, que correu demais, para chegar em alguém como você.

Sinto muito, mas ainda recordo de uma de minhas promessas, que adoraria realizar todos seus sonhos, ainda tenho essa intenção, mas para isso, preciso trabalhar, correr de um lado para o outro e ainda acreditar e fazer acontecer… é árduo, cansativo, mas não impossível. Quero que veja que toda essa minha loucura é para um devido fim, para o nosso próprio bem, para um amanhecer onde teremos tempo para tudo, inclusive para nós mesmos.

*cheio de coisinhas


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