Acredito que todas as informações, ainda mais nos dias de hoje, estão interligadas de alguma maneira, uma puxando a outra. Algo extremamente importante devido a abrangência de conhecimento que está ao alcance de nossas mãos em dias tão tecnológicos.

Na minha opinião, a internet tem seu lado bom e seu lado ruim, como tudo neste mundo, não é mesmo? Enfim, algum tempo atrás um rapaz contratou meus serviços para desenvolver uma monografia sobre efeitos especiais no cinema. Algo que abracei no mesmo momento por unir minhas paixões e me dar oportunidade de aprofundar no assunto.

Não sei quanto a você, mas não saio pesquisando aleatoriamente. No meu caso, é preciso uma necessidade
para beber na fonte da Informação, quando não são meus próprios livros, são artigos que preciso desenvolver e nada melhor do que ler para entender algo que desconhecemos.

Mas, voltando… Tenho uma péssima mania de ficar rondando determinado assunto, talvez seja um problema comum em escritores (olha eu de novo rs)… Comecei a me aprofundar nos efeitos especiais e não podia simplesmente falar dos grandes filmes de hoje com seus efeitos espetaculares, na verdade, não me impressionam tanto devido a quantidade de ferramentas que possuem disponíveis atualmente.

Para mim, os efeitos especiais realmente dignos são aqueles dos primeiros anos de vida do cinema, para quem não sabe (como eu não sabia) George Méliès deu início a tudo isso. Um mágico que largou a cartola para fazer mágica no cinema. Os efeitos de seus filmes eram feitos por ele mesmo, cortando e colando filmes, revelando e apagando e etc. Esses cineastas do início da vida do cinema realmente eram os grandes magos dos efeitos, pois tinham que inventar, encontrar saídas para transportar o que tinham na cabeça para a tela.

Cinema não se limita as imagens e minha intenção no trabalho era simplesmente criar uma linha de tempo e acabei falando dos autores de ficção cientifica, os responsáveis pelos maiores e mais espetaculares efeitos especiais no cinema, George Lucas que o diga, para tornar a destruição da Estrela da Morte mais realista, filmou de vários ângulos principalmente por baixo, para dar a impressão de falta de gravidade…

Um desses nomes da ficção acabou chamando minha atenção, um nome que até então não conhecia, Robert A. Heinlein. Com um novo alvo, comecei a pesquisar e acabei descobrindo que um de meus filmes prediletos “Tropas Estelares” é baseado em um de seus livros. Não precisou de mais nada para instigar minha vontade de conhece-lo melhor.

O livro escolhido foi “O gato que atravessa paredes” um título que acabou me chamando atenção por causa do meu próprio livro, A Casa de Ossos, que também tem detalhes bem interessantes sobre paredes. Consegui o livro e comecei a lê-lo e o achei bem interessante, pelo menos, nas primeiras páginas.

Confesso, antes de falar sobre qualquer livro, sempre dou uma pesquisada para ver a opinião de outros leitores, deste livro em particular, não encontrei absolutamente nada, portanto, só minhas impressões e, mesmo assim, ele está concorrendo para o grande campeão… Não campeão do melhor livro, mas sim, infelizmente, do primeiro que poderei desistir de ler…

Sobre o livro

Heinlein parece mais interessado em ficar descrevendo os ambientes do que focar na trama, algo que acaba se perdendo e se tornando enfadonha. O livro se passa no futuro e os detalhes são ricos e bem interessantes, mas apenas detalhes e características de determinado lugar não torna uma obra interessante (isso na minha opinião), sem mencionar que, me senti jogado na história, sabe quando um cachorro cai da mudança? Mais ou menos assim, ou melhor, quando um gato tenta atravessar uma parede e não consegue?

A história se desenvolve a partir de um assassinato em um restaurante, nada estrondoso, pelo contrário, tudo simplesmente discreto. Enquanto o dr. Richard Ames aguarda sua acompanhante voltar do banheiro, um estranho senta em sua mesa e ao revelar a razão de sua presença, é assassinado. Os funcionários do restaurante rapidamente removem o corpo sem ao menos os demais clientes perceberem. Até mesmo a acompanhante do dr., não perceberia o fato que acabara de ocorrer. E, deste momento em diante, a vida de dr. Ames muda completamente.

Algo interessante na história é o fato de transparecer uma sociedade educada e cortês que, não quer dizer que não tenha seus refugos, como uma das personagens que se junta a história, Bill, um homem que vive de maneira precária, uma espécie de mendigo do futuro, digamos assim, que acaba sendo adotado pelo casal e levado para sua jornada de fuga e procura de respostas para todos aqueles acontecimentos.

Como disse, estou pensando seriamente em abandoná-lo, porém, fazê-lo seria perder o desafio, tornar todas
essas palavras vazias e sem fundamentos, afinal de contas, só podemos falar de algo quando temos conhecimento. O problema é que livros assim não prendem, não cativam, o leitor se torna dispersos, sem ânimo para saber o que acontece. Por exemplo, antes desse estava lendo “A Casa dos Budas Ditosos” de João Ubaldo Ribeiro, uma leitura, (tirando a introdução da personagem), muito bacana. Juntamente com este estava lendo mais cinco de crônicas, claro, uma crônica de cada autor. Hoje, o gato que atravessa paredes me consome, me tira o ânimo da leitura e acabei não lendo mais nenhum autor de crônicas.

Desculpa se você é fã do autor, mas estou sendo franco, provavelmente lerei outro, sou teimoso e preciso saber se determinado livro foi uma cartada errada ou é algo natural do autor, afinal de contas, alguns defeitos para mim, podem ser qualidades para outro, não é mesmo? Mas, por enquanto é isso, O gato que atravessa paredes está sendo um livro cansativo que me dá a clara impressão que o autor, na verdade, se diverte mais contando o mundo que tem ao seu redor, do que os motivos que o fazem caminhar por ele.