O Mercador de Livros Malditos – Marcello Simoni – 2012

Sempre apreciei os títulos dos livros e devo ser franco, um bom nome chama atenção. Para mim o título tem que soar poético e com um charme capaz de conquistar o possível leitor desde o primeiro olhar. E foi exatamente isso que aconteceu ao me deparar com o livro em questão. Ele exerceu uma poderosa força de atração que me fez toma-lo nas mãos, observar a capa e ainda folhear algumas páginas e deseja-lo em minha estante junto com aos demais, porém, houve algo além dessa combinação maravilhosa que me instigou ainda mais; a crítica: Enigmático como O Nome da Rosa.

No segundo seguinte me veio à memória as cenas do filme, seu enredo, seus mistérios e suas personagens intrigantes, o que me deixou mais tentado a compra-lo, o que acabei não fazendo. Coloquei-o de volta em seu lugar e sai com ele em minha cabeça. Parece incrível, mas o mundo dos livros exerce uma magia sobre o meu querer, ainda mais se tratando de uma história que envolve livros, ainda mais: livros malditos.

Que tipo de maldições poderia recair sobre as páginas do livro/personagem da história? Quais perigos e mistérios o protagonista deveria passar e resolver? Será que seria algo parecido com O Nome da Rosa? Veneno na tinta… Fantástico, Humberto Eco soube como levar seus leitores para um mundo santo que possuía alguns demônios para exorcizar. Tais indagações levei comigo para fora da loja com o coração rasgado.

Como o Anel de poder de Sauron, com o tempo, fui esquecendo, a cada dia um pouco mais desaparecia de minha mente e o desejo por tê-lo. Até o dia que, em uma conversa casual sobre livros, minha chefe revela que comprou e que havia terminado a leitura, comentou suas impressões nada positivas, mas elas não foram suficientes para tirar minha vontade por lê-lo, afinal de contas, alguns preferem azul, outros, laranja. Confessei que queria lê-lo e acabou oferecendo. Hesitei. Não gosto de pegar livros emprestados, eu preciso deles em minha estante, são preciosos para mim, precioso.

Acabei aceitando, pois tinha esperanças de ganha-lo, não ganhei, mas matei minha curiosidade ao poder ver com meus próprios olhos se realmente aquela crítica estava à altura daquela obra e, devo confessar que, assim que cheguei ao fim da leitura, refleti sobre a força da propaganda, ela pode erguer como derrubar qualquer coisa.

A Editora responsável pelo trabalho é a Jangada e, deu para perceber que deram um tratamento especial para a obra. Desde seu acabamento até a escolha do material empregado. O tamanho da fonte é ótimo, como também a entrelinhas. Perfeito para quem gosta de ler no ônibus. A capa é interessante e instigante e as críticas, certeiras.

Porém, a história deixou um pouco a desejar, talvez, devido ao fato das criticas serem tão portentosas e prometerem mais do que o livro poderia oferecer. Não desmerecendo a história e muito menos comparando Marcello Simoni com Humberto Eco, o Marcello escreve bem, contudo, os autores clássicos possuem uma estante especial em meu coração.

O protagonista da história chama-se Ignazio de Toledo, um comerciante de relíquias que recebe o encargo de encontrar um livro raro e maldito. Com mais dois companheiros, o mercador sai à procura de sua encomenda e acaba descobrindo que é alvo de uma organização religiosa que deseja o livro para seus próprios fins. Uma história repleta de mistérios, mentiras e enigmas que o levarão cada vez mais próximo de seu alvo.

O começo da história é lento, os capítulos são curtos o que, para um leitor menos atento, pode se perder com a mudança de situação, contudo, quase na metade (ou um pouco depois) a ação começa e segue até o final com direito a segredos revelados e uma simpatia pelos personagens criados. Portanto, se você estiver procurando por um livro que una suspense, com ação e conspirações, O Mercador de Livros Malditos é uma boa dica.

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