O Primeiro Telefonema do Céu – Mitch Albom

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Antes de falarmos do livro em questão, nada melhor do que apresentar o autor, afinal de contas, alguns são tão interessantes quanto as histórias que colocam no papel. Mitch Albom é uma dessas figuras que merecem destaque, apesar do sucesso de suas carreiras profissionais, além de escritor de sucesso, Mitch é apresentador de rádio e televisão além de colunista de um jornal, você pode até pensar: a vida desse cara é muito boa, mas nem sempre as coisas foram assim para esse autor americano.

Mitch Albom não cresceu em um lar abastado e muito menos em berço de ouro, prova disso é o fato de ter até trabalhado de babysister para conseguir dinheiro para pagar sua faculdade, ou seja, o cara se esforçou para chegar onde está hoje em dia, e como se não bastasse ainda tocava piano como músico contratado para aumentar seus ganhos. A faculdade que Mitch ingressou foi jornalismo, uma paixão que já martelava seu coração, por isso, nada mais óbvio.

Mitch começa a frequentar diversas partidas de esportes e começa a criar matérias que nem um doido para vende-las para jornais, com isso, no ano de 1983 acabou sendo contratado pelo Fort Lauderdale como colunista e depois daí sua vida deu um up de 360º. Para você ter ideia da dimensão de Mitch como jornalista, é considerado um dos maiores colunistas do país devido a quantidade de prêmios e honrarias que já recebera. Para você ter uma ideia, tem um prêmio que a maioria dos jornalistas só receberam no máximo duas vezes, Mitch recebeu treze vezes, os outros não conseguiram mais do que uma ou duas vezes, ou seja, podemos considerar Mitch Albom uma espécie de Meryl Streep do jornalismo.

Além de sua carreira de escritor, jornalista, apresentador de rádio e televisão. Mitch Albom fundou uma Associação que ajuda jovens carentes a ingressar na faculdade a “The Dream Fund” E não podemos esquecer o lado musical do autor, compositor e letrista consagrado e ainda toca em uma bandinha chamada Rock Bottom Remmainders, formada por escritores e ainda com um guitarrista chamado Stephen King, ou seja, uma mera bandinha…

Os primeiros registros literários de Albom estavam ligados à sua profissão, ou seja, aos esportes. Mas, em 1995 enquanto assistia ao noticiário, uma entrevista chamou sua atenção e tocou seu coração, era um homem que tinha uma doença terminal, o entrevistado falou de vida e de morte, mas não foi isso que chamou a atenção de Mitch, mas sim o fato de ser o seu antigo professor de faculdade. Com peso na consciência por ter se afastado tanto, Mitch passou a visitar o professor Morrie todas as terças e, em uma dessas visitas, decidiu pagar os custos do seu velho mestre.

Mitch fez o que sabia melhor e colocou no papel todas as conversas que tratavam as terças feiras, daí o nome Tuersday with Morrie, traduzindo literalmente, Terças com Morrie. Mitch ofereceu o livro para diversas editoras, porém, foi rejeitado. Mas, antes do falecimento do querido professor, Mitch encontrou uma editora e com isso pode cumprir o que prometeu, pagou todas as dívidas médicas. A primeira tiragem do livro foi de 20.000 cópias e aos poucos foi subindo na lista dos mais vendidos.

O livro tomou proporções muito maiores depois de apresentado por Oprah Whinfrey, que, anos depois deste momento, foi produtora do filme. Nem precisa falar que o livro disparou em vendas e ficou 205 semanas na lista de best-seller americana, um marco da história. No Brasil o livro foi lançado com o título “A Última Grande Lição – O Sentido da Vida”, tudo a ver com o original, você não acha?

Os livros de Albom podem ser encontrados facilmente na sessão autoajuda devido ao tipo de conteúdo que escreve, em sua estreia falou de morte e vida, em seu segundo trabalho “As Cinco pessoas que encontramos no céu” falou sobre perdão, amor, frustrações e sobre o fato de sempre estarmos fazendo as opções certas. Por Apenas Um Dia, de um filho que acaba ganhando um dia com sua mãe, algo comum para muitos, mas essa mãe está morta a oito anos… Os trabalhos de Mitch falam sobre morte e vida e sobre o que fazemos com o nosso tempo.

Como Mitch já era uma pessoa com muita exposição, não demorou muito tempo para seu livro se transformar em sucesso e ainda ganhar uma versão cinematográfica produzido por Oprah Winfrey. Em 1999, A última grande lição foi o filme mais assistido do país. E daí para frente, foram mais sucessos se acumulando nas costas do autor.

Mas, agora vamos ao livro: O primeiro telefonema do céu. Como o título sugere, se trata da primeira ligação que uma pessoa recebe dizendo ser realizada diretamente do céu… se tem aparelhos lá em cima, sinceramente eu não sei, mas… está no livro. Cinco pessoas recebem as ligações e assim que o jornal da pequena e pacata Coldwater informa sobre as milagrosas ligações, a notícia se espalha e uma grande migração de fiéis e descrentes lotam a cidade, alguns em busca de contatos com seus entes queridos.

Claro, não poderia faltar aquelas pessoas que acreditavam que tudo não se passava de uma farsa, uma maneira de chamar atenção para si mesmos e trazer comércio para a cidade. A única lanchonete da cidade vivia cheia de gente, imóveis eram comprados pelos fiéis, até mesmo a Samsung aproveitou para vender mais celulares, uma das primeiras ligações fora recebida justamente em um aparelho rosa fabricado pela empresa. Não me lembro do slogan, mas tinha a ver com a capacidade de fazer ligações DDC (Discagem Direta do Céu).

Em meio dessa loucura que tomou a pacata Coldwater, temos Sully, um ex-militar que perdeu não somente sua esposa como também a liberdade e o trabalho em um mesmo dia. Depois de cumprir pena, Sully volta para sua antiga cidade e para a vida de seu filho e juntos tentam superar a perda da mãe. As possíveis ligações não incomodam o ex-militar, pelo menos até o momento em que seu filho não desgruda de um celular de brinquedo.

Pensando na decepção da espera do filho, Sully decide desmascarar a mente por trás de um fato tão inconcebível e começa, (com a ajuda de um jornalista e de outro morador que também recebeu a ligação, mas não acredita,) a investigar os registros da cidade para encontrar qualquer pista que possa explicar aquelas ligações. Sully sente que pode ser uma fraude, mas também, pode ser pelo fato de não ter recebido uma ligação da esposa, afinal de contas, enquanto ela estava sendo enterrada, ele estava preso.

E é melhor parar de falar do livro agora, caso contrário, o restante será spoiler. No decorrer da história, Mitch Albom, nos fala a respeito da intenção de Graham Bell ter inventado o telefone, entre outras curiosidades que enriquecem ainda mais o texto. Como todas as histórias de Albom, essa também nos remete a refletir sobre nossas vidas e também a acreditar, algo importante para vivermos nossas vidas de uma maneira melhor.

Afinal de contas, quem não acredita em dias melhores, não vive o hoje de uma maneira prazerosa pelo simples fato de não ver ânimo na vida. Enfim, o primeiro telefonema do céu é um livro bem interessante que merece ser lido, eu, particularmente li rapidamente, livros que fluem geralmente parecem lerem-se sozinhos. E, apesar do fato dos livros de Mitch serem encontrados na sessão autoajuda, é um autor que merece ser lido devido aos temas que aborda, por ser tão importante nos atentarmos para a nossa própria existência.

Editora Arqueiro – Lançamento 2014 – Páginas: 288
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