Os Trapalhões 2017

Nunca gostei de sair aos domingos. Basta aparecer qualquer compromisso nesse dia que começo a procurar razões para desmarcar ou para complicar meu deslocamento seja lá onde for. Para ser franco, não sei onde essa frescura começou… talvez até seja devido à segunda-feira ou, quem sabe, de uma maneira inconsciente, devido a um programa que fazia questão de assistir. Um programa que passava na época em que o Fantástico trazia notícias realmente relevantes e importantes. 
Todos os domingos as sete horas da noite fazia questão de estar em casa para assistir ao programa dos Trapalhões. E olha que naquela época não havia tanto “não me toques” quanto hoje, por isso, não era nada de anormal ver um pouco de preconceito aqui e ali, um pouco de homofobia, e claro, “bicho bom” com o mínimo de roupa possível. Outro ponto diferente dos velhos tempos, hoje as pessoas veem ofensas em tudo. 
A trupe de Renato Aragão fazia alegria dos meus domingos regados a macarrão, frango ao molho e torresmo. Era uma delícia sentar diante da televisão e rir das “peruísses” desses comediantes maravilhosos, pelo menos até o primeiro partir… Em 1990, Zacarias embarca para o outro lado da vida e, alguns anos depois, Mussum segue-o voando como o “grande pássaro” que era. Dois comediantes que deixaram suas marcas e suas criatividades e que, por incrível que pareça, reaparecem em pleno 2017…
Isso mesmo, depois de tantas tentativas de fazer algo bacana, eis que Renato Aragão traz de volta Os Trapalhões, claro, da galera remanescente, somente o próprio e Dedé Santana, os demais artistas: Didico, Dedéco, Zaca e Mussa, novos talentos que encontraram não sei onde. Didico, está na cara que veio para relembrar a malandragem do Didi, Dedéco, do Dedé e Zaca e Mussa, são os grandes destaques, o Zaca imita igualzinho e o Mussa tem horas que até dá aquele arrepio no forebis. Dá até saudade daquele tempo…
Claro, em termos de originalidade as coisas deixam a desejar, mas existem boas piadas e algumas da velha guarda reaparecendo em plena era wi-fi. Didi e Dedé estão sempre por perto, observando o desenrolar dos trabalhos dos novos trapalhões e lembrando que, hoje em dia, algumas piadas podem ser dignas de processos milionários… É até engraçado ver emissoras que ditam uma determinada moda se curvar aos novos padrões de comportamento social. Tudo bem que tais comentários tem um sabor ácido, talvez uma maneira dos comediantes defenderem o humor livre que usaram e abusaram durante tantas décadas.
Enfim, todos os novos artistas que formam a nova trupe de Os Trapalhões se saem muito bem, com exceção, do Nego do Borel que reviveu o personagem do Tião Macalé, uma figura icônica e que ganhou espaço entre os quatro Trapalhões originais justamente pelo seu desprendimento e seu talento nato. Já o Tião de 2017… Soa forçado, soa malandro demais, não como o velho Tião Macalé que soava malandro mas ao mesmo tempo, inocente, tcham!
Independente de qualquer coisa, os novos trapalhões conseguiram me arrastar para a minha infância… basta fechar os olhos que sinto o cheiro da comida da minha mãe, daquele franguinho ao molho… Ver a família reunida diante da televisão para rir das palhaçadas desses artistas que coloriram não somente a minha, mas como a infância de muita gente… Sobre remakes… Nada contra, é sempre maravilhoso ver dois artistas como o Zaca e o Mussa reavivar a imagem de duas personalidades maravilhosas e que me… nos fizeram rir… E que venham mais e mais episódios desses novos Trapalhões que, com certeza, vai ser bom para todas as idades… Finalmente Renato Aragão apostou em um programa que vale a pena realmente assistir.

Deixe um comentário