As Olimpíadas 2016 chegaram ao fim com grande sucesso, claro, como sempre o Brasil não foi o grande recordista em medalhas, mas pelo menos, desta vez a Alemanha acabou não levando a melhor em cima de nossa seleção. E o mais bonito de tudo, a única bagunça que aconteceu não foi por causa de nenhum brasileiro, mas sim por causa de um americano. Olha que lindo! O mundo inteiro estava apreensivo com uma série de possibilidades ruins e nada tão terrível aconteceu.

Confesso que não assisti as modalidades como muitas pessoas próximas a mim assistiram, mas nos noticiários e nas breves passagens próximos a aparelhos de televisão, pude perceber arquibancadas repletas de brasileiros torcedores. Isso me trouxe um determinado prazer de ser brasileiro, afinal de contas, ali estavam brasileiros apoiando esportistas brasileiros. Algo muito raro, valorizar o nosso próprio produto, concorda comigo?

Infelizmente valorizamos demais o mercado internacional e deixamos o nosso próprio ao Deus dará, tudo bem, o cinema alguns anos atrás era um pornô mais comportado, os livros não eram repletos de fantasias, as séries de televisão em cada três palavras tinham dois palavrões. Sim, realmente eram, mas hoje em dia as coisas não são mais assim, o mercado brasileiro está cheio de maravilhas, de autores, produtores, diretores e por aí vai, tudo que precisamos é apenas olhar um pouco para nosso mercado e, claro, separar o joio do trigo.

Mas não estou aqui para falar sobre o sucesso das Olimpíadas e muito menos sobre valorizar nossos produtos, quer dizer, de uma certa maneira, esse último tem a ver com o assunto. Nem bem recuperamos o fôlego dos gritos que demos durante as Olimpíadas e já estamos prestes a vivenciar outro momento importante para o país, porém, desta vez não veremos nenhum cara malhadão que se dedica o dia inteiro para ser o melhor nadador ou ginasta.

As Paralimpíadas começaram e parece que ninguém está interessado em assistir um monte de desportistas que não apenas superaram o cansaço em seus treinamentos, como também, venceram as limitações de suas próprias condições. Na minha opinião, eles são mais do que vencedores. Todos são provas de vida, provas de persistência, exemplos de onde podemos chegar quando realmente nos empenhamos em alcançar…

Mas, acho que as pessoas preferem assistir competições com pessoas bonitas e perfeitas, como a agência África que, para chamar atenção para os ingressos da Paralimpíadas, utilizaram Cléo Pires e Paulo Vilhena como embaixadores do evento. E para ficarem mais condizentes aos jogos, os atores tiveram seus corpos substituídos por próteses no Photoshop. Segundo os próprios embaixadores, eles apenas representaram dois Paratletas: Bruna Alexandre e Renato Leite. Agora, a pergunta que não quer calar: Por que não foram os estes próprios Paratletas que fizeram a chamada? O que a Cléo e o Paulo têm que os outros dois não tenham?

Essa imagem causou muitos comentários pelas redes sociais, até a própria Cléo Pires acabou se manifestando e chamando todos de hipócritas isso e aquilo. E, se por ventura, você ler isso Cléo, não pense que sou hipócrita, não estou questionando a sua aceitação, mas por que a agência de publicidade decidiu seguir esse caminho. Você deve concordar comigo que, a maioria das pessoas preferem um rosto bonito e perfeito. Pelo menos aqueles que ditam o que muitos devem gostar.

Mas, os números estão aí e não nos deixam mentir de forma alguma. Ontem dei uma passada pelo Youtube para ver os Paratletas carregando a tocha Paralímpica e, para minha surpresa, só haviam sessenta visualizações, contra as setecentos e setenta e três mil das Olimpíadas. Outro fato claro foi a quantidade de ingressos vendidos, a arquibancada lotada de brasileiros entre outros, torcendo pelos seus favoritos… Já para a Paralímpica, existem um milhão de ingressos disponíveis… É mole?

Bom, como a própria Cléo Pires disse pelas redes, não devemos ser hipócritas e por isso, ousarei dizer: quem quer ver pessoas com limitações físicas dando exemplo de vida, de superação, de que somos capazes de conseguir tudo aquilo que queremos desde que nos empenhemos? Algumas pessoas preferem ficar chorando as pitangas pelos cantos do que seguir em frente e perceber que vencer, é apenas uma questão de perseverança.