Por uma questão de curiosidade

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Devo confessar que já pensei em acabar com minha história de uma vez por todas. Eu e mais um trilhão de pessoas espalhadas pelo mundo. Viver às vezes parece algo tão complicado, tão doloroso. A felicidade é um momento que, infelizmente, em determinadas situações passa tão rápido que na manhã seguinte já esquecemos o calor daquele sorriso.
Existem dias que tudo parece que poderá finalmente dar certo. Sentimos nossa alma em festa, o sorriso brota sem qualquer esforço, algo tão sereno e natural que julgamos que nosso contentamento pode se espalhar e afetar todos que estão ao nosso redor. Parece incrível, mas quando estamos felizes, queremos que tudo seja o melhor possível.
Mas, infelizmente, uma simples palavra ou atitude, pode levar toda essa alegria por água abaixo. A dor é forte e persistente, suas raízes se espalham de nosso coração aos pés, seus galhos secos e retorcidos se espalham em nossa mente e, a qualquer brisa de descontentamento, a memória surge para nos lembrar de nossa dor.
Já a felicidade, tão querida e desejada, são como flores nessa bela árvore, porém, nem sempre vivemos a primavera de nossos desejos, os invernos costumam ser mais presentes e rigorosos, como também o outono, a estação das folhas no chão que são levadas pelo vento, trazendo aquela sensação de constante saudade.
Mas, viver é isso. É estar em uma constante corda bamba, ora o sorriso brilha em nosso rosto como um dia de sol após um frio extremamente glacial, ora a dor parece nos dilacerar ao meio de uma maneira que torna qualquer fiapo de esperança uma história da carochinha. Nos revoltamos com isso? Sim! Quem não se revoltaria?
Como disse no começo do texto, já tive vontade de acabar com minha história, já estive bem perto de cometer tal ato, lembro até hoje do olhar de uma garota em uma estação do Metro, eu estava desesperado e me sentia completamente perdido. Sabe quando acreditamos que arruinamos nossa vida inteira? Que decepcionamos todos aqueles que amamos e não somos dignos de continuar?
Pois é, já passei por algo assim e é extremamente desolador. Me senti tão sozinho e perdido que não conseguia perceber outra saída. Foi então que senti um calor no peito, o coração se partiu, mas, ao olhar para o lado, bem longe de mim, havia uma garota, ela me olhava como soubesse o que passava por minha cabeça. Seu olhar era de súplica e, naquele instante, vi a oportunidade se perdendo.
Dias depois, a minha vida se resolveu de um momento para o outro e, vagarosamente, as coisas foram melhorando. Até hoje lembro do que senti ao olhar aquela garota, claro, se eu vê-la na rua, com certeza passarei direto, pois não me lembro de suas feições, apenas daquele sentimento que senti emanando de sua alma.
Claro que houve outros motivos e razões, porém, o que me mantém por aqui é a curiosidade de onde essa história chegará. Cometi erros, quebrei promessas, feri muitas pessoas e nada disso me envaidece de qualquer maneira, pelo contrário, para alguém que não gosta de sofrimento, ser o pivô do mesmo o torna uma cruz ainda mais pesada.
Tudo que me resta é esperança, o acreditar que, tudo nesta vida tem um porque, mesmo quando não conseguimos compreender. Infelizmente o ser humano tem uma mania meio besta de querer entender tudo que está ao seu redor e, não podemos esquecer que podemos não estar aptos para todo conhecimento. As lições acontecem gradativamente, na medida de nossa própria conscientização.
Hoje não penso mais nessa possibilidade e, confesso que meu coração é repleto de sentimentos tristes, mas a esperança me permiti aliviar e acreditar que coisas ruins acontecem para um bem maior. Pode parecer um pensamento egoísta, mas, se formos martelar o que nos fere, as possibilidades podem se tornar fatos.
Vou tentando seguir em frente, pedindo perdão pelos pecados, tentando não cometê-los novamente e cometendo outros novos. Aprendemos com nossos erros, isso é um fato, a dor, querendo ou não se tatua em nossa alma justamente para lembrarmos e tentarmos ser pessoas melhores. Quanto ao acabar com a própria história, aprendi que, independente da dor, do arrependimento ou da decepção, vale acreditar que as coisas acontecem para um bem maior, para o nosso próprio aprendizado. É preciso ter fé, é preciso ser positivo mesmo quando estamos ensopados debaixo de um pé d’água daqueles. Em algum lugar do caminho, sempre existirá uma marquise para nos proteger por alguns momentos ou por muitos. Tudo depende de nossa paciência de esperar o tempo ruim passar… E ele sempre passa.

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