Rani e o sino da divisão – Jim Anotsu

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Quando comentei com minha mãe sobre o fato de estar lendo um livro que tinha o filho do demônio, um lobisomem, dois vampiros e uma menina que toca Punk Death Metal e é fã do cara do Nightwish, ele me disse: largue isso que isso é coisa da demo… Quem escreveu provavelmente fuma droga.

Se fuma droga, sinceramente não sei… acho meio impossível… mas segundo o próprio autor, ele mora no fundo do mar e antes que alguém pergunte: não, ele não conhece o Bob Esponja. Jim Anotsu escreve suas histórias em folhas de couve, às vezes, em beterrabas, o que é muito bom, pois beterraba e verduras fazem muito bem para a saúde e o que já atesta que o rapaz é do lado branco da força.

Esse é o segundo trabalho de Jim que tenho o prazer de ler. Um autor que sabe como contar uma boa história, com personagens superinteressantes e narrativa que não deixa ninguém dormir no ponto. Quanto ao primeiro, A Morte é Legal, segue a linha de narrativa e de eventos fantásticos bem além de que costumamos ver por aí. O interessante do livro Rani foram os comentários da mocinha do Épica que acabou tendo acesso ao livro. Para Jim, um fã de metal, deve ter sido muito bacana. Mas o que tem a ver?

Tudo. Neste novo trabalho do Jim Anotsu (mas que alcunha em Jim), o metal rola solta, do primeiro capitulo até o último. Em cada capítulo o autor selecionou um determinado trecho de música que condiz, ou com a situação ou com os sentimentos de suas incríveis personagens. E tem de tudo, se não me engano, até System of a Down, algo que, particularmente para um headbanger não é algo muito bacana de se ver entre tantas outras coisas boas.

Enfim, Rani é uma mina de quinze anos que é filha de pais separados e que vive em uma cidade chamada Graúna e, segundo as descrições, parece o forever do mundo, se Judas perdeu as botas em Bento Quirino com certeza uma das meias ficou lá em Graúna. Um lugar pacato demais para uma garota com um gosto musical tão peculiar. E é exatamente pela falta do que fazer que Rani e Mariana passavam a maior parte de seu tempo tocando no quarto. Ou seja, nem podiam se intitular de banda de garagem.

Rani morava ao lado do cemitério, local que costumava cortar caminho para chegar à escola. Algo nada comum para uma menina de quinze anos, mas Rani era destemida e valente e sabia que os mortos jamais poderiam lhe fazer nenhum mal. Mesmo assim, foi exatamente no cemitério que Rani percebeu que, de pacata, sua vida não tinha nada, e que a sua Graúna sem qualquer emoção, ocultava muito mais que seus olhos podiam ver.

Sentado em uma sepultura, um garoto de cabelos bagunçados e roupas coloridas, que mais parecia um dos Restart, não tinha como não reparar naquela figurinha carimbada, Rani não prestou muita atenção, mas no mesmo instante que o viu, sentiu algo despertando em seu interior, algo que jamais sonharia nem em seus piores pesadelos.

O nome daquele rapaz de roupas coloridas e que se destacava de tudo que havia a sua volta era Pietro, um cara mais ou menos na linha do Eduard do Crepúsculo, mas sem os brilhos e a purpurina é claro… Isso mesmo, Pietro era um vampiro que trazia uma revelação para a vida de Rani, uma revelação que mudaria sua vida para todo sempre amém… E olha que Rani sempre se achou uma pessoa normal, tirando sua banda e o amor pelo Tuomas do Nightwish.

Mas, depois daquele encontro nada comum, Rani acaba descobrindo que ela é muito mais que apenas uma garota de uma cidade de interior que toca em uma banda. Ela também é um xamã, uma alma antiga que renasce há muitos e muitos milênios com um único objetivo, salvar o planeta de Aiba, um ser desprezível que deseja despertar o grande espirito para que a música da existência deixe de tocar, iniciando assim um apocalipse apoteótico com direitos a muitas luzes e diversos fogos de artificio, como aqueles causados pelas grandes guerras.

E Rani é a única pessoa que pode acabar com os planos de Aiba. Rani recebe ajuda de seus novos amigos: Pietro, o vampiro colorido, Valentina, a irmã do vampiro e por consequência, vampira também, com Fred, um garoto lobisomem que também é uma espécie de cientista, o próprio filho do demônio-mor… E seu nome é Tales e não Little Nick. E para fechar o time, Mariana, a melhor amiga e parceira de banda de Rani. Juntos embarcam em busca do tão sonhado Sino da Divisão que foi criado por pessoas que fazem parte da história… Só lendo para saber, no spoiler…

Bom, particularmente, já gosto do trabalho do Jim desde A Morte é legal e, ao abrir Rani e o sino da divisão, já sabia que coisas boas viriam por aí, tudo bem que esse tal de sino da divisão, me lembra um time de futebol que está para ser rebaixado, mas tudo bem. A história é superinteressante, cativante e extremamente envolvente. Uma história que vale a pena ser levada para casa com todo amor e carinho.

Outro ponto importante que vale ressaltar é a simpatia e atenção do Jim e o bom gosto musical, tirando o fato que suas personagens em determinada parte do livro deixam claro as ligações do metal com o Belzebu, mas até aí, acho que foi apenas uma brincadeira. Autores sempre brincam… Ah, as pessoas não fantásticas ou melhor, aquelas que não são xamãs, nem lobisomens, vampiros, filhos do demônio ou gatos falantes, são chamadas de gentios, um nome bem mais bonito do que o depreciativo utilizado pela JK, trouxas… Sempre achei esse nome terrível, parece denegrir as pessoas que ajudaram a enriquecê-la…

Se vale a pena ler Rani e o Sino da Divisão? Mas claro que vale oi… E se você ainda não leu, tira essa bunda da cadeira, desliga esse vídeo e corre para uma livraria e parta hoje mesmo para Graúna e seus encantos, com certeza você irá curtir… Ah, mas antes, deixe seu like, seu compartilhamento se não o tio Bell vai te pegar por aí.


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