Saudade – Renata Maggessi

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O aroma do café recém coado me ajuda a despertar. Com a caneca cheia, olho através da janela e observo o mar. As ondas, com seu vai e vem cadenciado, me confirmam que tudo na vida passa.

Olho para o sofá vazio e meu coração se aperta. Vivemos muitas aventuras e, hoje, todas pertencem ao passado. Sinto uma mistura de tristeza, saudade e boas lembranças.

Tomo mais um gole do café que começa a esfriar. Na vida, nem tudo é eterno, mas se foi infinito enquanto durou, valeu a pena. Pego nossa foto na estante e sorrio.

O barulho das ondas batendo na areia me trazem de volta à realidade. Olho para a praia e é como se eu pudesse ver você correndo pela areia, cavando buracos e enterrando seus “tesouros”.

A voz da veterinária vem à minha cabeça: “você precisa estar preparada quando a hora dele chegar”. Uma lágrima escorre pelo meu rosto. Pego sua almofada preferida e me abraço a ela, na esperança de receber uma lambida.

Eu sei que, como as ondas do mar, essa dor também vai passar e, um dia, você será para mim como aquela onda na areia: uma doce e feliz lembrança.

(Texto desenvolvido para o desafio de prosa poética da Revista Villa das Palavras – seu comentário é muito importante)


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12 comentários em “Saudade – Renata Maggessi”

  1. Acredite, eu vi a xícara fumegante com o delicioso líquido essencial para minha existência. Pude sentir e me enganar nas primeiras linhas tamanha dualidade das palavras. Acredito que a prosa poética não é feita apenas por palavras comuns da poesia, como também, sua cadência e sentimentos. Ótimo texto

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  2. Suas letras são ricas
    Trazem dor e deleite ao mesmo tempo, se é que isso é possível
    A tristeza de perder alguém querido se junta a beleza lírica de suas palavras.
    Lindo texto

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