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Minha infância provavelmente não foi muito diferente de muitas outras por aí. Depois da separação de meus pais, era minha mãe que saia para trabalhar e trazer o alimento para casa. Ela deixava tudo pronto para eu e meus irmãos nos alimentarmos. Por ser o mais velho, cuidava do fogão, afinal de contas, mexer com fogo não é para criança, não é mesmo? Minha irmã, limpava a casa e os outros dois menores, davam trabalho apenas, não tinham idade para ajudar.

Por sorte, nunca fomos vítimas de algum acidente doméstico grave, quer dizer, meu irmão bateu a cabeça quando pequeno e teve um problemão, mas felizmente ele está vivo e muito bem de saúde. Mas, nem todos tiveram a sorte que tivemos, nos noticiários quantas casas não foram queimadas por acidentes com fogo? Algo que, hoje em dia, muitos filhos ouvem: não brinquem com fogo é perigoso.

E realmente, por isso alguns pais preferem deixar os prantos prontos para serem aquecidos em micro-ondas e, mesmo assim, com talheres de plástico para não correr o risco de parar um talher por descuido e ocasionar um possível curto. Mesmo assim, tal necessidade é algo condenado por muitas pessoas, como dizem hoje em dia: criança não trabalha, dá trabalho. Prova disso foi a proibição de dois apresentadores infantis do SBT no ano passado, o programa, Bom dia & Cia que acabou sendo apresentado pela filha do Sr. Abravanel, bom mas como dizem, filho de peixe, peixinho é.

Algo muito comum os filhos se direcionarem pelos caminhos profissionais do pai, por exemplo, os filhos de Angélica e Luciano Hulk provavelmente trabalharão na televisão, como o filho do Tom Hanks que trabalha como ator, como o pai. No entanto, alguns filhos, tem seus talentos revelados de maneira precoce e se há oportunidade de apresentar seus talentos, que mal tem? Se por ventura a Sacha Meneghel quisesse ter seu programa aos quinze anos algum julgaria trabalho infantil?

Claro, isso não quer dizer que sou adepto que crianças trabalhem em canaviais ou em fábricas irregulares de tijolos como vi alguns dias atrás, porém, acho que as autoridades deveriam ver caso a caso pois muitas dessas crianças acabam trabalhando para ajudar suas famílias a terem uma vida um pouco mais decente, acabam sacrificando sua infância por uma ou duas refeições decentes sobre a mesa. Sim, eu sei que tem pais que exploram seus filhos, e foi exatamente por isso que disse que deveria ser visto caso a caso. Em vez de bolsa família, ou a nova licença maternidade para avós, por que não atentar para esses casos?

Crianças não devem trabalhar e muito menos brincar com fogo, não é verdade? A justiça proibiu os apresentadores mirins de apresentarem um programa, talvez o dinheiro que estivessem ganhando ali poderia ser guardado para suas faculdades futuras, para intercâmbios em outros países em busca de ensino realmente valorizado e relevante, algo que, infelizmente, em nosso país, é possível somente em escolas que cobram os olhos da cara… Se for esse caso dessas duas crianças…

Mas o que acho super engraçado… Por que não proibiram o tal Master Chef Junior? São crianças também e o pior, todas diante de um fogão, mexendo com fogo, com panelas de pressão, com a tensão para serem melhores que as outras… Gente, não é por nada não, mas, cadê as autoridades que criaram a lei da palmada, que tiraram os dois apresentadores mirins do ar, as pessoas que dizem que brincar com fogo é perigoso?

Será que essas pessoas estavam sentadas em suas casas assistindo crianças disputando quem cozinhava melhor? Quem tinha a ideia mais mirabolante para o próximo doce ou prato? Tudo bem, eu sei que com certeza haviam bombeiros por perto, mas as crianças que brincam de Master Chef em casa não tem toda essa produção e cuidado e, sabemos que crianças adoram imitar o que vem na televisão, lembro de quando pequeno um vizinho achou que viera de Krypton por causa de uma roupa de Super-Homem, ele tentou voar de cima da laje e acabou ganhando um imenso galo na testa, graças a Deus, por estar vivo o trágico tornou-se engraçado.

Os jovens participantes do Master Chef tem idades variadas, de 9 a 13 anos, os apresentadores mirins também, a menina tinha sete e o garotinho 11, meio que estava dentro da faixa-etária apreciada pelos telespectadores do programa de cozinheiros mirins, a única diferença é que no programa Bom dia & Cia não havia nenhum bolo sendo assado durante o programa e muito menos uma disputa entre os dois apresentadores para ver quem era o melhor.


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