Ontem estava parado no trânsito e parou um morador de rua ao meu lado e disse com simpatia: Boa tarde senhorita… Quando virei o rosto em sua direção, ficou sem jeito ao perceber que era um homem de cabelos longos, mas não perdeu o rebolado e continuou: Boa tarde senhor, não vou mentir, será que não teria uma moeda para inteirar para comprar um corote para me esquentar nas noites frias que está fazendo?

Havia um sorriso de simpatia em seu rosto, mas, infelizmente, não tinha moeda alguma e muito menos algum trocado na carteira. Depois que inventaram esse negócio de cartão de débito, acredito não ser o único a sair sem qualquer vestígio de dinheiro vivo. Mesmo com minha negativa, o senhor me desejou uma ótima viagem com o sorriso no rosto e peguei meu caminho com aquela simpatia e sinceridade inesperada.

E realmente, para aguentar o frio que anda fazendo pelas madrugadas, somente um corotizinho descendo pela garganta para manter pelo menos o interior aquecido. Às vezes, é a única forma de conseguirem alguma espécie de alivio ou conforto. Tudo bem, algumas pessoas diriam que ficam nas ruas por livre e espontânea vontade, afinal de contas, a prefeitura conta com locais destinados para os moradores de rua dormirem em noites tão frias.

Não sei se você já conversou com algum deles, mas eu já tive a curiosidade e, particularmente, não gosto de ficar com dúvidas em minha cabeça. Alguns moradores de rua que conversei, dizem que os abrigos podem ser muito piores que a própria rua. Infelizmente, alguns, provavelmente os mais idosos ou desprovidos de músculos, sofrem com assaltos, violência, entre outras coisas que não deveriam ocorrer. E por esse absurdo, alguns preferem enfrentar o frio do tempo do que o frio do coração de alguém nas mesmas condições que ele, o que é bem pior.

Por isso, em dias frios, ao deitar-me em minha cama quentinha e ficar sob uns três cobertores com meu pijama soft, incluo em minhas orações de agradecimento pelo meu dia que Deus de uma olhadinha para essas pessoas, independente da razão por que estão nas ruas. Sei que algumas estão por livre e espontânea vontade, mesmo assim, estão passando frio e o que me importa é que estão passando frio e não por que decidiram trocar um teto de alvenaria por um teto de estrelas ao ar livre.

Sobre isso, tudo que posso achar é que cada pessoa conhece as próprias razões de suas decisões. Desequilibrados? Podem ser, infelizmente, não são todas as pessoas que sofrem com os dissabores da vida e conseguem lidar com determinadas situações. Somos diferentes e por isso, cada um de nós temos uma forma diferente de lidar com nossos problemas. Algumas pessoas, talvez, acabam sofrendo tanto que prefiram sair de suas casas por não se acharem merecedoras.

Independente disso, quando encontro algum na rua, seja no inverno ou até mesmo no verão, fico pensando em como seria viver a vida daquela maneira. Sem ter uma casa para voltar, uma família para o natal comemorar, sem ter uma televisão para assistir e aos domingos xingar o Faustão, sem ter as obrigações de pagar as contas, documento, sem ter um médico para aliviar a dor de algum mal… E aquelas mães moradoras de rua (não estou falando daquelas que saem vendendo doces nos sinais com os filhos) que acabam engravidando e tendo que criar seus filhos literalmente já no mundo.

Tudo bem, você pode dizer que engravidam por que querem, ainda mais nos dias de hoje que existem tantos pontos de distribuição de preservativos, aqui no bairro onde moro, os postos e terminais contam com alguns pontos desses, mas é diferente para uma pessoa comum como eu pegar alguma para me precaver, infelizmente, quando um morador de rua entra em algum lugar público, acabam sendo marginalizados pelo cheiro, pelas roupas, aparência e outra, nas regiões centrais, onde se concentram a maior parte deles, encontrar algum posto de distribuição gratuita é complicado, pelo menos eu nunca vi.

Sabe o que acho interessante quanto a isso? É que vira e mexe, ficamos sabendo de campanhas de castração de cães em alguns bairros. Não importa a distância, algumas pessoas chegam a cruzar a cidade para castrar seu animal de graça por não ter condições. Para os moradores de rua, (pelo menos eu nunca vi) não há nenhuma campanha de prevenção, nenhuma conversa com as mulheres sobre a importância de um preservativo, Diu ou até mesmo a laqueadura. Não existe campanhas para alertar os homens da necessidade de cuidado nas relações sexuais.

Você dirá que todos eles não estão nem aí para isso, e, devo confessar que concordo com você. Mas, não é só por eles não estarem nem aí que deixaremos de fazer a nossa parte, de tentarmos fazer algo para melhorar um pouco a vida dessas pessoas. Sei que eles estão nessas condições por que querem e não cabe a mim julgar ninguém, pelo contrário, o intuito é ajudar mesmo quando a pessoa não quer ajuda, pelo menos, tentei fazer algo pelo próximo. E isso que importa, é isso que nos torna mais humanos.

Sei que algumas pessoas e instituições religiosas tentam ajudar como podem, levando alimentos, agasalhos e tudo mais que precisam para tornar um pouco da vida nas ruas menos pior, mas, infelizmente, eles próprios acabam se sabotando e os órgãos públicos parecem não se importarem por estarem à margem da sociedade. E que sociedade é essa que deixa seres humanos como nós de escanteio? Podemos chamar isso de sociedade? Só por que não pagam impostos, por que decidiram morar na rua por livre espontânea vontade? Por loucura? Por falta de opção? Por virem para as grandes cidades esperando trabalhar e não encontrar nada?

Enfim, como disse no começo do texto, não estou vindo aqui para questionar o por que algumas pessoas decidiram viver dessa forma. Estou vindo aqui para convidar você a assistir esse vídeo que colocarei logo abaixo dessa postagem. Uma atitude muito importante de uma grande empresa, tudo bem que as meias da Puket são caras demais, no entanto, é uma atitude que merece aplausos e todo meu tempo para escrever esse texto. Sei que separados, não podemos mudar o mundo, nem mesmo derrubar nossa atual politica, mas juntos, podemos fazer desse mundo um lugar melhor e, mesmo que não consigamos fazer do mundo um lugar melhor, pelo menos, podemos tornar a vida de algumas pessoas mais quentinha.

Se você chegou até aqui, agradeço pela paciência, em determinados assuntos, minha veia de romancista acaba falando alto, mas, se mesmo sendo extenso, você gostou, peço que compartilhe com seus amigos nas suas redes sociais essa campanha que promete agasalhar milhares de pessoas que moram nas ruas. Agora, não é o momento de questionarmos o porque, mas sim de fazermos sem saber porque.

E você não precisa comprar nada na Puket, sua meia doada não precisa ter marca alguma, pode ser aquela que comprou no camelô, cinco por dez, que já estão velhas e alargadas de tanto que usou, pode ser aquela meia sem par que perdeu e não lembra onde deixou o outro pé, pode ser qualquer uma, desde que seja entregue em uma das lojas Puket para entregar para esses moradores de rua, não somente um cobertor para aquecer no frio, mas também, o nosso calor humano. E o melhor, você não precisa entregar os cobertores, entregue suas meias em uma loja da Puket e eles farão o resto. E ai, vamos doar uma meiainha velha? Compartilhe esse texto, desta forma, também estará ajudando de alguma forma. (Adriano Villa)