Às vezes fico pensando o que seria da humanidade se por ventura, de uma hora para outra, toda a tecnologia sucumbisse. Sério. Quando falta energia elétrica em minha região me dá um aperto violento no peito, começo a pensar: e se de repente ficasse assim para sempre? Como faríamos? Às vezes, devido ao costume não damos muito importância para tudo que temos ao alcance de nossas mãos, mas quando perdemos…

A internet há algum tempo atrás causou um caos depois de uma pane em um sistema que deixou metade do país sem acesso à rede, trazendo o caos para as empresas que absorveram essa maravilhosa ferramenta ao seu dia-a-dia. Lembro que, antigamente no meu trabalho, todas as aprovações eram feitas via fax para os Estados Unidos, eram horas e horas passando páginas e mais páginas, isso sem mencionar os gastos com telefone. A internet acabou com isso, hoje, um pdf já faz todo trabalho, rápido, ligeiro.

A tecnologia nos vicia e confesso que sou. Não sou muito de assistir TV, mas tenho a cabo, quando me der vontade de assistir alguma coisa, prefiro que tenha um conteúdo realmente relevante ao que busco e não programas de auditório com mulheres de tanga em pleno inverno, algo que sempre abominei, essa exploração das curvas femininas para atrair o público masculino e acabar com a autoestima da esposa que tem que fazer o almoço no horário e cuidar dos filhos e por isso, não tem tempo para se arrumar ou coisa parecida.

E sobre essa comodidade de comunicação que a tecnologia nos proporciona, não é impossível nos tornarmos escravos de suas facilidades, por exemplo, o antigo pai dos burros se tornou avó, o Google é o novo pai dos burros, tudo que você precisa saber, basta perguntar ao Google que ele responde e de maneira muito mais rápida. Basta escrever sua pergunta, dar enter e pronto, em segundos uma infinidade de respostas estarão disponíveis. Aquele negócio de ficar folheando e procurando por palavras em ordem alfabética chegou ao fim.

Para complicar ainda mais o nosso vício, os celulares se tornaram uma espécie de computador de bolso, os softwares para os dispositivos ganharam a alcunha de APP, programas desenvolvidos exclusivamente para smartphones. Alguns até causaram grande rebuliço na mídia, como no caso do Whatsapp e o ubber, mas nenhum outro como o Whats que teve o segundo bloqueamento no Brasil hoje.

Sinceramente, queria ver se a solicitação de quebra de sigilo viesse de Barack Obama para ver o que iria acontecer… Será que o dono do Facebook diria não para o líder de seu país? Algumas semanas atrás ouvimos as conversas de Dilma e Lula-la em pleno horário nobre, quebraram o sigilo telefônico de ambos, algo que deve ser feito apenas mediante solicitação do poder judiciário. Enfim…

Mark Zuckerberg não liberou as informações que o deputado solicitou a respeito do aplicativo e acabou tendo os serviços prestados bloqueados no país. Resultado, muitos brasileiros e brasileiras desconsolados, alguns chegaram até a exagerar dizendo não existir vida sem o aplicativo. Talvez essas pessoas esqueceram que existem métodos mais eficazes de se comunicar: o cara a cara por exemplo ou por telefone. O celular não serve apenas para mensagens, mas também para conversas de voz, para e-mails e etc.

Eu particularmente achei a iniciativa eficaz, sério. Alguns usuários não têm muita noção de onde e quando utilizar o aparelho celular, alguns caminham (ou melhor, se arrastam) com os olhos voltados para a tela enquanto digitam, não prestam atenção no farol, em quem caminha logo à frente ou atrás e muito menos no cara de bicicleta que vem em alta velocidade, pronto para dar o bote no aparelho. As pessoas perderam um pouco da noção de onde, quando e como se comunicar com as outras pessoas. É como aqueles casos fatídicos de selfies. Alguns dias atrás foi a vez de um indiano quase se matar com um tiro na cabeça após fazer uma selfie com a arma do pai.

Apesar do que acabei de escrever, não achei que o bloqueamento do aplicativo foi legal, pelo contrário, particularmente acho que o dono do Facebook deveria liberar as informações solicitadas e, caso o aplicativo não gravasse, criasse uma maneira de fazê-lo. Venhamos e convenhamos, hoje em dia, todos nós estamos meio que vigiados pela tecnologia. Caso cometa algum delito, suas conversas de celular serão ouvidas, se isso acontece é sinal que gravam, pelo menos durante algum tempo. Em casos assim, até seu computador pode ser solicitado para averiguação de seus históricos e registros.

Nossos navegadores salvam históricos, gravam caches, salvam arquivos temporários e, provavelmente, as informações acessadas devem ir para algum lugar, afinal de contas, quem não pesquisou determinado produto na internet e logo em seguida recebeu algum e-mail marketing com oferta do produto? Ou até mesmo aqueles banners que ficam surgindo em nosso navegador? A internet não é útil apenas para as pessoas de bem, mas também para as más intencionadas, por isso, nada melhor do que liberar sim a quebra de sigilo quando solicitado. Outra coisa que me passou pela cabeça: se acontecesse algo com qualquer pessoa da família do dono do aplicativo, será que ele mesmo não quebraria o sigilo para fins particulares?

Não vamos esquecer que temos bocas para falar e não apenas dedos para digitar, vamos lembrar que às vezes, uma palavra lida pode ser interpretada de uma maneira diferente e gerar muita confusão. Nada melhor do que olhos nos olhos, do que ouvir o tom de voz de nosso interlocutor. Somos criadores e não podemos ser escravos de nossas próprias criações.